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Editorial

Princesinha dos Ervais

18 Jul 2016 - 06h00
Conhecida como Princesinha dos Ervais, em virtude da sua impotância comercial no auge da exploração da erva-mate e da exportação da folha de chá para todo o mundo, a cidade de Ponta Porã completa hoje 104 anos de fundação. Foi no dia 18 de julho de 1912 que Ponta Porã, então distrito de Bela Vista, foi elevada à condição de município, coroando uma história que começou a ser inscrita em 1872, após o fim da Guerra da Tríplice Aliança, quando a região foi demarcada com fronteira entre Brasil e Paraguai. Bem antes disso, nos idos de 1777, uma expedição militar brasileira chegou à região que era habitada apenas por índios Nhandevas e Kaiwás, com o desafio de mapear a área e em 1862 um batalhão comandado pelo tenente Antônio João Ribeiro se fixou na cabeceira do rio Dourados, local onde hoje está o município de Antônio João, e fundou a Colônia Militar dos Dourados, conferindo a futura Ponta Porã a importância estratégica na garantia da soberania nacional e no desenvolvimento de toda essa região do antigo Estado de Mato Grosso.


A história tratou de garantir um capítulo à parte com o início da Guerra da Tríplice Aliança, em 1864, quando Brasil, Argentina e Uruguai uniram forças para lutar contra os homens comandados pelo general paraguaio Solano Lopes, o Exército do Paraguai avançou sobre a Colônia Militar dos Dourados, onde veio a falecer o tenente Antônio João Ribeiro, fator que fez com que o governo imperial do Brasil enviasse mais militares para a região e, com isso, a então localidade de Punta Porá ganhou centenas de novos habitantes. A cidade que hoje completa 104 anos de emancipação político-administrativa, que tem uma população de pouco mais de 85 mil habitantes e 58.263 eleitores, tem uma das histórias mais ricas do Brasil, tanto que em 1892 recebeu a Guarnição da Colônia Militar de Dourados para proteger a fronteira e passou a receber agricultores gaúchos que migraram para a região incentivados pelo programa de colonização. Em 1900 Ponta Porã foi elevada à condição de Distrito de Bela Vista e 12 anos depois virou município, tendo como 1º prefeito Ponciano de Matos Pereira.


Três anos depois, em 1915, o então governador de Mato Grosso, Caetano de Albuquerque, elevou Ponta Porã para a categoria de Comarca e um ano depois tomou posse o primeiro Juiz de Direito, Possidônio de Souza Guimarães e o primeiro Promotor de Justiça, Henrique Carlos Guatemozim. A cidade já pulsava quando em 1919 foi criado o 11º Regimento de Cavalaria, que teve como primeiro comandante o capitão Hipólito Paes Campos. O ápice ocorreu em 1943, quando o então presidente da República, Getúlio Vargas, elevou Ponta Porã à categoria de Território Federal, situação que persistiu até 1946. História à parte, o fato é que há muito o que se comemorar neste centenário de Ponta Porã. A cidade, formada por uma população com vocação para o trabalho e dotada de um patriotismo incomum, evoluiu junto com sua gente e hoje ocupa o lugar de um dos municípios mais importantes de Mato Grosso do Sul. Com uma economia forte, sustentada na agricultura, sobretudo na cultura da soja, do milho e do trigo, bem como da pecuária de corte, a centenária Ponta Porã tem no turismo de compras um dos mais importantes braços da sua economia.


O comércio local também é merecedor de todos os elogios já que atende as necessidades tanto dos moradores de Ponta Porã e cidades vizinhas, quanto dos habitantes de Pedro Juan Caballero que buscam no lado brasileiro tudo que não pode ser encontrado em solo paraguaio. A prestação de serviços é outro ponto forte da centenária Ponta Porã, cidade que atrai cada vez mais profissionais nas áreas da medicina, engenharia, advocacia e na educação, tanto que o município proporciona à sua população, além dos campi da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), instituições de ensino superior como as Faculdades Magsul, Faculdade de Ponta Porã e Faculdade Anhanguera. Ponta Porã tem ainda uma estreita ligação com este matutino, já que o jornal O PROGRESSO nasceu primeiro na fronteira por meio do advogado José dos Passos Rangel Torres, que, mais tarde, por força do cargo de Promotor de Justiça, teve que interromper a circulação. Anos depois, o filho de Rangel Torres, o também advogado Weimar Gonçalves Torres, chega a Dourados onde, em 21 de abril de 1951, decide refundar O PROGRESSO, título que continua até hoje em poder da família. Por tudo que foi dito e pela história que guarda, tanto Ponta Porã quanto sua gente merecem todas as felicitações no dia do centenário.

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