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Respeito à Vida/ALMS (Ramal)
Editorial

População planetária

07 Mar 2016 - 10h18
AOrganização das Nações Unidas (ONU) acaba de anunciar que que a população mundial atingiu a impressionante marca de 7,3 bilhões de pessoas e que, mantendo esse ritmo, o planeta terá 10 bilhões de pessoas em 2050, gerando graves problemas nos setores de saúde, transportes, segurança e, sobretudo, na produção de alimentos. Entre os fatores que contribuem para o rápido aumento populacional, a ONU aponta a alta taxa de natalidade em alguns países e o aumento na longevidade da população em todo o mundo, uma vez que hoje mais de 900 milhões de pessoas superaram a barreira dos 60 anos e até 2050 o planeta terá 2,5 bilhões de habitantes com mais de 60 anos e com expectativa de vida superior a 75 anos, contra a média de 48 anos apurada pela mesma Organização das Nações Unidas em 1950. Em alguns países a expectativa de vida atingiu patamares jamais imaginados, como na Grã-Bretanha, por exemplo, onde o número de pessoas com mais de 85 anos mais do que dobrou entre 1985 e 2015 e atingiu a marca de 1,6 milhão de habitantes no ano passado, enquanto o percentual de pessoas com menos de 16 anos caiu de 21% para 17% no mesmo período.


A saída seria uma maior controle de natalidade, sobretudo nos países da América do Sul e na África. Na Zâmbia, no Sul da África, por exemplo, o maior desafio do governo é o altíssimo número de nascimentos, já que o país tem uma população de 13 milhões de pessoas e as estimativas são que esse número triplique até 2050 e, mais grave, chegue a 110 milhões até o fim do século, fazendo com que o país tenha uma das populações mais crescentes do planeta. Não poderia ser diferente, enquanto a fertilidade global por família caiu de cinco para médias 2,5 crianças desde 1950, as mulheres da Zâmbia tem, em média, seis filhos. Fica clara, portanto, a necessidade maior planejamento e investimento nas pessoas para lidar com a crescente população mundial e suas consequências, sobretudo a necessidade por mais alimentos, água e energia e a maior produção de lixo e poluição. No ritmo que está, o planeta pode entrar em colapso em, no máximo, 200 anos, fator que exige união das nações para colocar em prática ações globais em favor da vida e do planeta.


O Brasil não foge dessa realidade, já que a população chegou na marca de 204 milhões de pessoas em 2015, mas o fator positivo é que cresce no menor ritmo já registrado e de maneira desigual pelo território, com as maiores taxas concentradas nas regiões Norte e Centro-Oeste. A Sinopse do Censo Demográfico, que contém os primeiros resultados definitivos do último censo, aponta que a população brasileira cresceu 12,3% desde 2000, quando havia 169,8 milhões de habitantes no país e chegou a 204.856.649, mas que, nesse período, a população rural perdeu 2 milhões de pessoas e reduziu sua participação para 15,6% do total. Já a população urbana ganhou 23 milhões de novos integrantes e hoje representa 84,4% do total dos brasileiros. O Nordeste, que sempre liderou o crescimento populacional, ficou fora e hoje os dez Estados onde a população mais cresceu nos últimos dez anos estão localizados nas regiões Norte e Centro-Oeste, com destaque para o Amapá, Roraima e Acre que tiveram crescimento demográfico anual de 3,45%, 3,34% e 2,78%, respectivamente.


No aposto da tabela, com menor crescimento demográfico, aparecem o Rio Grande do Sul, com 0,49%, a Bahia, com 0,7%, e o Paraná, com 0,89%. Na geografia populacional, o ranking das maiores cidades brasileiras segue liderado por São Paulo com 11,9 milhões de habitantes, seguida pelo Rio de Janeiro, com 6,4 milhões, por Salvador, com 2,9 milhões e por Brasília, com 2,9 milhões de habitantes. Elas são seguidas por Fortaleza, com 2,8 milhões, Belo Horizonte, com 2,7 milhões e Manaus 2,05 milhões de habitantes, superando Curitiba que ficou com 1,9 milhão de moradores e Pernambuco, que aparece com 1,6 milhão. Contudo, a expectativa de vida dos brasileiros, que chegou a 75,2 anos em média, aponta que o país deverá envelhecer numa velocidade maior que os demais vizinhos na América do Sul e, por isso, precisa começar a pensar em políticas públicas capazes de atender as necessidades dessa camada da sociedade nas próximas décadas. O que se assiste hoje é justamente o inverso, com o governo desenvolvendo políticas para a juventude e ignorando a a obrigação de atender as pessoas com mais de 60 anos.

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