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Editorial

Passando o país a limpo

05 Mar 2016 - 06h00
O que já parecia inevitável, desde que o escândalo de roubalheira na Petrobras se revelou, ocorreu ontem: a Polícia Federal cumpriu mais uma fase da Operação Lava Jato e, sob ordem do juiz federal Sérgio Moro, conduziu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à uma delegacia da Polícia Federal, no Aeroporto de Congonhas, para que explicasse a origem de R$ 10 milhões que foram repassados a ele pelas empreiteiras investigadas na Lava Jato desde o fim do mandato presidencial. A fatia da sociedade brasileira que está enojada com o sangramento dos cofres públicos tem o dever cívico de apoiar na sua integralidade a investigação da Justiça Federal, mesmo porque foi-se o tempo em que poderosos ou os amigos do poder desfilavam imunes à lei. A investigação é legítima porque está sendo conduzida por instituições consolidadas, independentes e comprometidas com o Estado de Direito e a forma como os mandados de busca e apreensão, de prisão e de condução coercitivas são cumpridos estão amparados na mesma legislação que se aplica aos demais cidadãos brasileiros. Que fique claro que ninguém está acima da lei e que chegou a hora de passar o país a limpo!


As pessoas de bem precisam manifestar apoio explícito às ações da Operação Lava Jato, mesmo porque a primeira atitude dos investigados, dos ministros de Estado, da presidência da República, de deputados e senadores envolvidos, foi atacar quem está cumprindo o dever de investigar desmando na coisa pública. A sociedade precisa amparar as ações da Justiça Federal, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, para que a mentira contada mil vezes pelos investigados não se transforme em verdade e, principalmente, para que o Brasil continue sendo passado a limpo a bem não apenas daqueles que não concordam com o atual governo, mas, sobretudo, a bem de todos os brasileiros. Nunca antes na história desse país se viu tanta gente poderosa atrás das grades, desde empresários e empreiteiros, até presidentes de partidos e senadores da república, de forma que somente o aprofundamento das investigações, com a responsabilização daqueles que surripiaram o erário e a condenação firme dentro do devido processo legal será capaz de mostrar ao resto do mundo que o Brasil está se transformando num país sério.


A tentativa dos investigados de desconstruir a legalidade da Operação Lava Lato, classificando as ações como midiáticas, golpistas e ditatoriais nada mais é que o desespero de saber que o cerco está se fechando e que, em pouco tempo, todos aqueles que, de alguma forma, trataram o público como se privado fosse, terão que responder na forma da lei. O Partido dos Trabalhadores, a mesma sigla que fez carreira denunciando a corrupção e cobrando cadeia para os corruptos, não pensou duas vezes para atacar as instituições democráticas durante todo o dia de ontem, chegando ao absurdo de afirmar que a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva representa um ataque à democracia e à Constituição Federal. Ora, como o PT pode afirmar que a atuação do Poder Judiciário é mais um capítulo na escalada golpista que busca desestabilizar o governo da presidente Dilma Rousseff, criminalizar o Partido dos Trabalhadores e combater o principal líder do povo brasileiro, se o que a sociedade brasileira mais quer é acabar com a corrupção que se instalou no país nos últimos 15 anos? Caso a ação fosse contra a oposição, seria legítima, mas como atinge o governo, é golpista. Vai entender!


Em nota oficial, o PT afirma que setores do aparato policial e judicial do Estado, mancomunados com grupos de comunicação e a oposição de direita são o centro dirigente de uma operação destinada a subverter o resultado das urnas. Ora, como é possível subverter os resultados de uma campanha eleitoral financiada por empreiteiras que desviaram centenas de milhões de reais dos cofres públicos federais? Ao invés de apoiar as investigações em curso, ainda que elas atinjam o núcleo do partido, o PT prefere defender a tese de aliciamento dos inimigos da democracia nos tribunais, no Ministério Público e na Polícia Federal apenas para criminalizar os líderes da legenda. Os ataques ao Poder Judiciário e às instituições democráticas são respondidas pela Associação dos Juízes Federais com um argumento direto: há décadas, a imprensa brasileira veicula notícias referentes a desvios de bens e recursos públicos, cujos responsáveis não pagavam pelo crime cometido, mas, que, chegou a hora de pagar. Antes tarde que nunca!

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