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O Progresso arrecada agasalhos e alimentos para indígenas

08 Jun 2016 - 18h00
Equipe do O PROGRESSO percorreu aldeias para constatar situação - Equipe do O PROGRESSO percorreu aldeias para constatar situação -
O PROGRESSO iniciou campanha de arrecadação de agasalhos, alimentos e galões de água para indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó em Dourados. É o sexto ano consecutivo que este matutino recebe donativos, que podem ser entregues na recepção.


A equipe de reportagem percorreu as aldeias e, em contato com alguns indígenas, pôde constatar que o maior problema é a falta de agasalhos e demais roupas, seguido de alimentos. Ontem foi o dia de distribuição de cestas básicas do governo do estado nas aldeias. O problema é que muitas famílias são grandes e os alimentos duram no máximo uma semana.


"Se a gente economizar dá até para 10 dias. Depois disso temos que se virar, meu marido faz bicos de servente de pedreiro", diz a guarani-caiuá Margarete Amaral. Ela mora num barraco de madeira e lona com o marido e seis filhos, com idades entre 14 anos e 1 ano. "A gente precisa de agasalho. Com esse frio não dá para deixar as crianças ir para escola", explica a indígena, que mês passado teve a casa roubada após a família ir à igreja. O pouco que tinham, como roupas, foi levado.
Situação também difícil vive a família de Armando Arevalo. O guarani-caiuá atua no ramo da construção civil, porém está desempregado.


Morando num pequeno casebre feito de sobras de madeira com a esposa, o filho de 11 meses e dois enteados de 5 e 4 anos, ele diz que a dificuldade é maior na segunda quinzena do mês, quando acaba a sesta básica. O maior sonho dele é construir uma casa de alvenaria, conquista alcançada por uma boa parcela das famílias.

Vivem na Reserva Indígena de Dourados pouco mais de 14 mil indígenas, sendo a segunda maior em população no país. Tanto a Jaguapiru como a Bororó ficam na área urbana do município, sendo conhecidas pelos problemas de segurança, de saúde e pela pobreza em que vivem muitas famílias, problemas característicos de cidades.

Segundo o cacique da Jaguapiru, Vilmar Martins, é preocupante a situação de muita gente. "É bem complicada. O Hospital da Missão sempre ajuda com doações de roupas, mas ainda assim falta muito para suprir as necessidades dos mais carentes, principalmente das famílias com muitas crianças", disse ele.
Outro grande problema é o desabastecimento de água. "Há mais de 90 dias, parte das moradias esta sem água e ninguém tem solução para nada", desabafou Vilmar. "A dificuldade é enorme; para fazer comida, muitas famílias recorrem a um corguinho que tem água suja ou pegam de poço em que a água também é imprópria, chega a ser amarelada ", disse. Inclusive "para os alunos irem às escolas fica difícil, sem água para lavar roupas", relatou o líder indígena.

### Campanha
As doações de agasalhos e demais roupas em geral, alimentos e galões de água podem ser feitas em horário comercial de segunda a sexta-feira na recepção do jornal O PROGRESSO, localizado na Avenida Presidente Vargas, ao lado da praça Antônio João, centro de Dourados. O telefone de contato é o 3416-2600.

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