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Editorial

Mosquito Ameaçador

17 Dez 2015 - 10h59
O Aedes aegypti está apavorando o Brasil diante da omissão das autoridades governamentais e da irresponsabilidade de parcela importante da população que não adota o hábito de combater cotidianamente o mosquito transmissor de doenças como a dengue, zika vírus, febre chikungunya e agora, também, a Síndrome de Guillain-Barré, que pode provocar paralisia e até a morte. Tão grave quanto a ameaça que o mosquito representa é o reconhecimento pelo próprio ministro da Saúde, Marcelo Castro, que houve contemporização no combate ao mosquito Aedes aegypti, ou seja, o governo reconhece que falhou na missão de garantir a saúde da população através do combate ao mosquito transmissor dessas graves doenças. Uma frase dita ontem pelo ministro da Saúde é emblemática: temos 30 anos com a presença do Aedes aegypti no Brasil e se o mosquito está vencendo essa batalha é porque não fizemos as ações que seriam necessárias para destruí-lo. Ainda que essa afirmativa possa causar espanto por ter partido do comandante do Ministério da Saúde, é preciso reconhecer que o ministro está coberto de razão e que essa responsabilidade deve ser partilhada por todos.


O fato é que a omissão de agentes governamentais aliada com a irresponsabilidade de parcela da população no combate aos focos do mosquito, deixou 199 municípios com risco de surto de dengue, chikungunya e zika a partir de janeiro. Essa situação deve se agravar na Região Norte e Nordeste, onde está concentrada a maior parte dos casos de microcefalia provocados pelo zika vírus. Os números mais recentes do Ministério da Saúde mostram que o Brasil está, de fato, perdendo a guerra para o Aedes aegypti, tanto que de janeiro a novembro foram confirmados mais de 1,5 milhão de casos de dengue no país, um aumento de 176% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 555,4 mil casos. No mapa da dengue, a região Sudeste acumulou 63,6% do total de casos, com 975.505 pacientes, enquanto na Região Nordeste foram 278.945 casos, no Centro-Oeste outros 198.555 casos, no Sul foram 51.784 casos e a Região Norte registrou 30.143 casos de dengue. Estudos revelam que o ciclo de epidemia se repete por três anos consecutivos, de forma que a dengue deve fazer ainda mais vítimas a partir de janeiro de 2016.


Um total de 199 municípios estão em situação de risco de surto de dengue, chikungunya e zika, enquanto outros 665 municípios estão em situação de alerta, que ocorre quando entre 1% a 3,9% dos imóveis têm focos do mosquito, e outros 928 cidades estão em situação satisfatória, que é quando menos de 1% dos imóveis aparecem com focos da doença. Neste cenário, o Estado de Goiás registra a maior incidência de dengue, com 2.314 casos por 100 mil habitantes, seguido por São Paulo, com 1.615 casos por 100 mil habitantes, e Pernambuco, com incidência de 901 casos por 100 mil habitantes. Ao mesmo tempo em que o número de casos aumentou 176% entre janeiro e novembro em comparação ao mesmo período do ano passado, o volume de mortes provocadas pela dengue também cresceu 79%, passando de 453 mortes, em 2014, para 811 óbitos até o final de novembro de 2015. Entre as capitais brasileira, Rio Branco (AC) é a única em risco de surto de dengue, com outras sete capitais em alerta para a epidemia: Aracaju (SE), Recife (PE), São Luís (MA), Rio de Janeiro (RJ), Cuiabá (MT), Belém (PA) e Porto Velho (RO).


A mapa da dengue revela ainda que Boa Vista (RR), Palmas (TO), Fortaleza (CE), João Pessoa (PB), Teresina (PI), Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Brasília (DF), Campo Grande (MS) e Curitiba (PR) estão com índices satisfatórios, enquanto Macapá (AP), Manaus (AM), Maceió (AL), Natal (RN), Salvador (BA), Vitória (ES), Goiânia (GO), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) não encaminharam resultados para o Ministério da Saúde. A dengue se manifesta a partir da picada do mosquito transmissor, o Aedes aegypti, e quando o vírus entra na corrente sanguínea se espalha pelo corpo e provoca a inflamação dos músculos, das articulações e dos vasos sanguíneos. A doença ataca a medula óssea e causa a diminuição da produção de plaquetas, que são responsáveis pela coagulação do sangue, de forma que quando o nível de plaquetas fica abaixo de 50 mil passa a existir o risco de hemorragia, principalmente no sistema digestivo, o que pode causar a morte. Ainda assim, tanto o governo quanto a sociedade falham no combate ao Aedes aegypti.

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