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Editorial

Mobilização pela Vida

13 Fev 2016 - 07h00
O Ministério da Saúde realiza hoje o Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Aedes aegypti, o mosquito transmissor do Zika Vírus, da dengue e da febre chikungunya. A meta é vistoriar três milhões de imóveis em 350 municípios com maiores incidências do mosquito, numa iniciativa que será realizada em parceria com prefeitos e governadores de diversos Estados, sobretudo na região Norte e Nordeste, onde os índices de infestação estão mais preocupantes. O Dia Nacional de Mobilização para o Combate ao Aedes aegypti vai envolver 220 mil militares das Forças Armadas no trabalho de acompanhamento dos agentes de saúde no trabalho de conscientização, de casa em casa, para mobilizar famílias no combate ao mosquito. A boa notícia é que desde ontem Estados e municípios podem pedir o apoio das Forças Armadas para reforçar o combate ao mosquito Aedes aegypti, independentemente da mobilização nacional, marcada para hoje. Os militares vão reforçar as ações dos agentes de saúde, com presença maior nas regiões servidas pelo Exército, como, por exemplo, em Dourados que abriga a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada.


Essa mobilização se justifica no último balanço realizado pelo Ministério da Saúde revelando que de 3 a 23 de janeiro foram registrados 73.872 casos prováveis de dengue em todo o Brasil. No mesmo período do ano passado, o número de casos prováveis foi 49.857, um aumento de 48% nas infecções por dengue no país. O mapa da dengue revela que a Região Sudeste registrou o maior número de casos notificados, com 45.315 ocorrências, que significa 61,3% do total apurado no período, enquanto a Região Centro-Oeste, onde está localizado o Mato Grosso do Sul, registrou 10.372 novos casos, o que corresponde a 14% do total. A Região Nordeste contabilizou 7.862 novos casos, ou seja, 10,6% do total, enquanto a Região Sul teve 6.889 ocorrências, com 9,3% do total, e a Região Norte ficou com 3.434 novos casos, o que corresponde a 4,6% do total apurado no período. No mês de janeiro exatos 5.777 casos suspeitos de dengue foram descartados pelas autoridades sanitárias, mas, ainda assim, a doença avançou em praticamente todos os municípios brasileiros.
A análise da incidência de casos prováveis de dengue, quando se considera o número de casos por cada 100 mil habitantes, revela que o Centro-Oeste e o Sudeste apresentam as maiores taxas com 67,2 casos/100 mil habitantes e 52,8 casos/100 mil habitantes, respectivamente, mantendo a tendência identificada no ano passado. Os sul-mato-grossenses devem ficar atentos já que o Mato Grosso do Sul tem 114,8 casos suspeitos por cada grupo de 100 mil habitantes, seguido pelo Tocantins 103 casos por grupo de 100 mil habitantes, o Espírito Santo, com 93,5 casos por cada grupo de 100 mil habitantes e Minas Gerais, com 93,3 casos por cada grupo de 100 mil habitantes. Os municípios com as maiores incidências acumuladas de dengue são Rancho Alegre (PR), com 3.609 casos por grupo de 100 mil habitantes, seguido por Ubá (MG), com 608 casos por grupo de 100 mil habitantes e Ribeirão Preto (SP), com 338,9 casos por cada 100 mil habitantes. O fato é que todo cuidado na prevenção ainda será pouco, uma vez que somente nas primeiras semanas de 2016 foram confirmados quase uma centena de mortes em todo o Brasil em decorrência dessa grave doença.


Em meio a tudo isso surge a informação que dos R$ 10,1 milhões reservados pelo governo federal para a Coordenação Nacional da Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue em 2015, nenhum centavo havia sido investido até o dia 1º de dezembro. A verba, de responsabilidade do Ministério da Saúde, deveria ser empregada no financiamento de estudos, pesquisas e na capacitação profissional para o combate à dengue em todos o Brasil, além de financiar o aperfeiçoamento do programa de controle da dengue, realização de termo de cooperação e aquisição de veículos e equipamentos para doação a Estados e municípios. É inverossímil que num país onde milhares de pessoas sofrem com dengue todos os anos e centenas perdem a vida em virtude de complicações motivadas pela dengue, o governo federal economize dinheiro para combate à doença. No orçamento do Ministério da Saúde em 2015 havia previsão de dotação de R$ 4,2 milhões a mais para o combate à dengue em relação aos valores reservados em 2014, mas o desembolso foi nulo. Deve ser por isso que a doença avançou em todos os Estados e municípios.

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