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Editorial

Mobilização da Sociedade

14 Mar 2016 - 09h11
A multidão que tomou as ruas das capitais brasileiras das principais cidades do país ontem em protesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e em apoio à atuação do juiz federal Sérgio Moro na condução das investigações de corrupção na Petrobras, deve acender o sinal de alerta nos políticos. Ficou claro, pelo teor dos protestos, que todos os partidos políticos, todos os gestores públicos, todos os mandatários devem adotar zelo com o emprego do dinheiro público se quiserem se manter nos cargos que ocupam, mesmo porque milhões de pessoas voltaram às ruas para cobrar, entre outras coisas, moralidade na coisa pública. A mobilização popular confirma a pesquisa realizada pelo instituto norte-americano Pew Research Center, apontando que 72% dos brasileiros estão insatisfeitos com a situação econômica e política do país, percentual é muito superior ao verificado semanas antes dos protestos realizados antes da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, quando a parcela da população insatisfeita estava em 55%. O fato é que o protesto de ontem deverá promover uma debandada dos partidos que sustentam o governo Dilma e agravar ainda mais a crise.


O Pew Research Center apurou ainda que apenas 17% dos brasileiros estão satisfeitos com o país, ou seja, para cada grupo de 100 entrevistados somente 17 aprovam a atual situação econômica e política do país. Exatos 85% dos entrevistados pelo Pew Research Center, a alta nos preços é um dos principais problemas do país, ou seja, o temido monstro da inflação começa a despertar depois de mais de duas décadas adormecido e já tira o sono das pessoas que viveram o período anterior ao Plano Real, implantado pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. A pesquisa apurou ainda que 83% dos brasileiros consideram a criminalidade como o segundo pior problema do país, seguido pela falta de atenção na saúde pública que aparece com 82% de reprovação popular. Nunca é demais lembrar que esses dois problemas motivaram os protestos que se espalharam pelo Brasil, no ano passado, quando a maioria das capitais foi tomada por milhares de pessoas que cobraram menos dinheiro para construção de estádios de futebol e mais investimentos em saúde e segurança pública.


Nunca é demais lembrar que a corrupção dos políticos foi lembrada por 78% dos entrevistados pelo instituto norte-americano Pew Research Center e nem poderia ser diferente, já que estudo realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revela que a corrupção consome R$ 82 bilhões por ano, ou seja, 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), fator que coloca o Brasil entre os países mais corruptos do mundo, prejudicando com maior rigor as pessoas que mais precisam do poder público. Num período de 10 anos, a corrupção consome mais R$ 820 bilhões dos cofres públicos nas esferas municipal, estadual e federal, de forma que apenas na última década, a Controladoria-Geral da União auditou 15 mil contratos do governo federal com Estados, municípios e ONGs, e, pasmem, encontrou irregularidades em 80% deles, ou seja, para cada 100 instrumentos de transferência de recursos públicos, 80 estavam contaminados pela corrupção. O mais grave é que dos R$ 7 bilhões desviados dos cofres públicos por meio de contratos superfaturados, apenas R$ 500 milhões foram recuperados, valor que corresponde a apenas R$ 0,07 para cada R$ 100 desviados.


O fato é que os movimentos contrários à presidente Dilma Rousseff deram uma demonstração de força ontem na Avenida Paulista, em São Paulo, quando mais de um milhão de pessoas foram ao principal centro financeiro do país exigir punição aos corruptos. Em Brasília, mais de 100 mil pessoas tomaram a Esplanada dos Ministérios para cobrar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, enquanto em Belo Horizonte os protestos reuniram mais 50 mil pessoas e em Maceió foram 30 mil, número semelhante ao registrado Salvador. No período da manhã, a maior concentração antigoverno ocorreu no Rio de Janeiro, onde os protestos em Copacabana atraíram mais de 1 milhão de pessoas. Ao contrário do que pregou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que convocou à militância para defender o governo Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores durante os protestos de ontem, não houve registro de confrontos entre petistas e opositores, num demonstração clara de amadurecimento político da própria sociedade.

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