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Editorial

Medo do Desemprego

21 Jul 2016 - 06h00
Pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que o Índice de Medo do Desemprego subiu 1,9% em junho deste ano, na comparação com março, chegando a 108,5 pontos, e se configurando como o maior nível na série histórica que começou em 1999. Significa dizer que o brasileiro nunca teve tanto medo de perder o emprego quanto nos dias atuais e essa triste realidade se justifica no número elevado de empresas e indústrias que encerram as atividades todos os dias nas principais regiões metropolitanas do país. Realizada no entre 24 e 27 de junho com 2.002 entrevistas em 141 municípios, a pesquisa CNI alerta ainda que o aumento do medo do desemprego indica que a economia brasileira terá mais dificuldades para se recuperar do que imaginavam os técnicos do próprio governo e grande parte dos economistas. O aumento no medo de perder o emprego reflete na economia a partir do momento em que as pessoas procuram guardar dinheiro para se sustentar em caso de demissão e acabam adiando as compras, principalmente as de bens de maior valor, que demandam financiamento e aquecem a economia.


A preocupação dos entrevistados pela Confederação Nacional da Indústria tem razão de ser. Somente no primeiro semestre deste ano o desemprego atingiu, em média, 11,7% da população economicamente ativa, a maior taxa registrada pela pesquisa que começou a ser feita em 2012. Significa dizer que o Brasil tem hoje cerca de 12 milhões de desempregados, número que pode ficar ainda maior quando os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) forem divulgados com os levantamentos do primeiro semestre de 2016. Para apurar a realidade do desemprego no Brasil, o IBGE pesquisada 211.344 casas em cerca de 3.500 municípios e este resultado deve ser apresentado nos primeiros dias de agosto. Cabe ressaltar que o IBGE classifica como desempregado toda pessoa em idade economicamente ativa que não tenha trabalho e que tenha procurado emprego nos 30 dias anteriores à semana em que os dados são coletados, de forma que mesmo com atraso de um mês é possível mensurar o quanto o brasileiro sofre com o desemprego.


De um trimestre para o outro a taxa de desemprego passou de 9,5% para 11,2% da população economicamente ativa, o que significou uma demissão a cada seis segundos. No levantamento por Estado, a Bahia teve a maior taxa de desemprego no período, chegando a 12,7%, enquanto a menor taxa ficou com Santa Catarina onde 3,9% da população economicamente ativa estão fora do mercado de trabalho. Já o indicador que mede a parcela da população ocupada em relação à população em idade de trabalhar, conhecido como índice de ocupação, atingiu 56,2% no segundo trimestre de 2015, ficando estável em relação ao trimestre anterior que registrou queda de 0,7 ponto percentual em comparação com igual trimestre de 2014. Na região Sul o índice de ocupação ficou em 60,5%, enquanto no Centro-Oeste ficou em 60,4%, figurando entre os maiores percentuais de pessoas trabalhando entre aquelas em idade de trabalhar. Já a região Nordeste apresentou o menor nível da ocupação, com apenas 51,3% da população economicamente ativa colocada no mercado formal de trabalho. Ao mesmo tempo em que o desemprego aumenta, a inadimplência dispara: o percentual de famílias inadimplentes cresceu em agosto deste ano chegou a 22,4%, configurando a maior taxa desde julho de 2013, quando o mesmo percentual ficou em 22,4%.


Na contramão, o governo que poderia facilitar o crédito prefere manter as taxas de juros brasileiras entre as mais altas do mundo, superando até mesmo a Argentina, Rússia e países africanos. Parece que empresas e pessoas físicas estão caminhando para a bancarrota, fator que pode ser facilmente comprovado com o aumento de inclusão de nomes no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) de quase todas, senão todas, as cidades brasileiras. As empresas estão encontrando dificuldades para pagar em dia seus compromissos financeiros e acabam puxando a inadimplência para cima, fator que pode interromper até mesmo os índices positivos de geração de emprego em todos os Estados brasileiros. Enquanto as pessoas jurídicas ainda podem recorrer às linhas de crédito para capital de giro, as pessoas físicas aparecem em situação de desespero em virtude da elevação dos juros, das tarifas públicas e, principalmente dos impostos, já que o Brasil tem a maior carga tributária do planeta e se continuar neste ritmo logo terá um dos maiores níveis de desemprego.

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