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Editorial

Luto na Educação

28 Jun 2011 - 06h50
A educação brasileira, em todos os seus níveis, ainda está longe do ideal para um país que sonha em um dia ser visto como uma grande potência mundial, mas é inegável que a situação estaria muito pior se não fossem as transformações levadas a efeito por um brasileiro que amava educar e que tinha compromisso irrenunciável com a educação: Paulo Re-nato de Souza, o ministro da Educação durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e que morreu no final de sema-na, vítima de um infarto fulminante.

Entre janeiro de 1995 e dezembro de 2002, período em que esteve a frente do Ministério da Educação, Paulo Renato de Souza, dedicou-se em período integral à pasta, dotando o governo federal de ins-trumentos capazes de promover a transformação que a sociedade assistiu durante os oito anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, sobretudo no Ensino Superior e no Ensino Fundamental, duas grandes prioridades do ex-ministro de FHC.

Coube a Paulo Renato de Souza o desafio de criar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), sistema que revolucionou o acesso às universidades públicas brasileiras. A criação do Enem foi apenas um detalhe na vida desse educador que entra para a história como um dos maiores ho-mens públicos que o Brasil já teve, construindo uma vida acadêmica que começou na Universidade Federal do Rio Gran-de do Sul e se consolidou na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde Paulo Renato de Souza ocupou a reitoria nos anos 80.

Educador inveterado, ele integrou o quadro da Organização das Nações Unidas (ONU) para temas ligados a educação, emprego e salário, chegou a vice presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington e presidiu a Associação Brasileira das Mantenedoras do Ensino Superior.

Antes de chegar ao Ministério da Educação, Paulo Renato de Souza foi secretário de Educação do Estado de São Paulo, cargo que ele voltou a ocupar após o fim do governo Fernando Henrique Cardoso e onde permaneceu até dezembro do ano passado onde implantou, entre outras coisas, a educação em período integral com dois professores por sala de aula.

Contudo, o maior desafio de Paulo Renato de Souza, superior até mesmo à implantação do Exame Nacional de Ensino Médio, foi a expansão do programa Bolsa-Escola para todo o Brasil, melhorando ainda mais o projeto piloto que havia sido criado pelo então governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque.

Coube a Paulo Renato criar mecanismos para aliar o pagamento do benefício à frequência escolar das crianças, tanto que o Bolsa-Escola acabou virando referência para o resto do mundo e, mais tarde, foi transformado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva em Bolsa-Família, desvirtuando o caráter educacional do Bolsa-Escola para transformar o programa numa máquina de aliciamento eleitoral que chega hoje a mais de 14 milhões de lares e garante nada menos que 50 milhões de votos para o governo federal e para os candidatos que têm apoio formal do Palácio do Planalto. Se o fim educacional do Bolsa-Escola tivesse sido mantido, a situação da educação brasileira, sobretudo nas séries iniciais, seria muito melhor hoje.

Além de iniciativas como o Exame Nacional de Ensino Médio e o Bolsa-Escola, a gestão de Paulo Renato de Souza no Ministério da Educação também foi marcada pela criação de programas como o Fundo de Manutenção e Desenvolvi-mento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), um novo sistema de redistribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental que mais tarde foi rebatizado de Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educa-ção Básica (Fundeb).

O cidadão que tiver qualquer dúvida sobre a importância de Paulo Renato de Souza para a educa-ção brasileira, só precisará ouvir um professor mais experiente sobre a qualidade do ensino público antes do Fun-def/Fundeb, antes e depois da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), criada também pelo ex-ministro. Coube ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso definir Paulo Renato Souza, o único ministro da Educação durante seus dois mandatos no governo federal: um grande ministro, que tinha grande capacidade de agregar, um homem generoso, sem ressentimentos nem inveja, fácil de lidar.

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