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Editorial

Lobista da Odebrech

22 Fev 2016 - 11h40
ARevista Época, uma das mais importantes publicações semanais do país, revelou provas na edição deste final de semana que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou como lobista da Construtora Odebrech junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para liberação de bilhões de reais em obras realizadas no exterior. A investigação por tráfico de influência internacional e no Brasil foi aberta pelo núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Brasília e revela, ainda, que ex-presidente ajudou a Odebrecht a ganhar contratos na América Latina e na África com dinheiro do BNDES, num total de US$ 4,1 bilhões em projetos da empreiteira em países como Gana, República Dominicana, Venezuela e Cuba. Após Lula ter deixado o poder, o BNDES libertou a bagatela de US$ 1,6 bilhão, ou mais de R$ 6,5 bilhões, para a Odebrecht tocar obras como o metrô de Caracas, na Venezuela, e o Porto de Mariel, em Cuba. Detalhe: enquanto os pedidos de financiamento das empresas brasileiras demoram, em média, 23 meses para serem aprovados pelo BNDES, os projetos da Odebrech eram aprovados em tempo recorde.


O fato é que desde que o Partido dos Trabalhadores chegou ao poder, há pouco mais de 12 anos, o BNDES autorizou cerca de três mil empréstimos para obras em outros países, fazendo com que os repasses do Tesouro Federal à instituição de fomento saltasse de R$ 9,9 bilhões em 2003, quando estava em 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) para R$ 414 bilhões em 2014, ou seja, 8,4% do PIB. O mesmo país que sofre com todo tipo de deficiência na sua infraestrutura portuária, aeroviária e rodoviária financia portos, estradas e ferrovias em dezenas de países ao redor do mundo. Os empréstimos do BNDES para obras no exterior estavam protegidos pelo sigilo até que o juiz Adverci Mendes de Abreu, da 20ª Vara Federal de Brasília, entendeu que a publicidade das operações com empresas privadas não violava os sigilos fiscal e bancário e determinou a abertura da caixa preta, tornando públicas as transações que revelaram que o principal banco de fomento do Brasil é o maior financiador de obras na América do Sul.


A Odebrecht aparece como uma das principais construtoras beneficiadas com financiamento para obras no exterior, como os US$ 682 milhões, mais de R$ 2,7 bilhões, para construir o Porto de Mariel, em Cuba; US$ 243 milhões, cerca de R$ 980 milhões para construir a usina hidrelétrica de San Francisco, no Equador; US$ 90 milhões, ou R$ 320 milhões, para obras da usina hidrelétrica Manduriacu, também no Equador e outros US$ 320 milhões, R$ 1,3 bilhão, para obras da usina hidroelétrica de Chaglla, no Peru. A Odebrecht recebeu ainda financiamento de US$ 1 bilhão, mais de R$ 4 bilhões, para a obra do metrô Cidade do Panamá, no Panamá; US$ 152,8 milhões, quase R$ 600 milhões para a construção da autopista Madden-Colón, também no Panamá; US$ 180 milhões, mais de R$ 640 milhões, para obras do aqueduto de Chaco, na Argentina; US$ 1,5 bilhão, mais de R$ 6 bilhões para obras de soterramento do Ferrocarril, na Argentina; US$ 732 milhões, cerca de R$ 3 bilhões, para construção das linhas 3 e 4 do metrô de Caracas, na Venezuela.


É inverossímil, mas chama a atenção ainda a liberação pelo BNDES de empréstimos de US$ 300 milhões, mais de R$ 1,2 bilhão, para a construção de ponte sobre o rio Orinoco, na Venezuela; de US$ 350 milhões, mais de R$ 1,4 bilhão, para obras da barragem de Moamba Major, no Moçambique; de US$ 125 milhões, cerca de R$ 500 milhões, para construção do Aeroporto de Nacala, no Moçambique; de US$ 180 milhões, mais de R$ 760 milhões, para o BRT de Maputo, no Moçambique; de US$ 343 milhões, mais de R$ 1,4 bilhão para obras da usina hidrelétrica de Tumarín, na Nicarágua; de US$ 199 milhões, quase R$ 800 milhões para o Projeto Hacia el Norte, na Bolívia. Todo esse dinheiro sai dos cofres públicos com juros subsidiados pelo governo federal, de forma que o Brasil capta dinheiro emitindo títulos públicos, pagando juros de 11% ao ano, e empresta através do BNDES recebendo juros de 6% ao ano, ou seja, dos R$ 414 bilhões emprestados somente em 2014 o governo subsidiou R$ 20,7 bilhões, dinheiro que deixou de financiar melhoria na vida dos próprios brasileiros. Agora surge a informação que parte desses recursos é fruto do lobby que o ex-presidente fez junto ao BNDES e aos governos da América Latina e África.

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