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Lideranças indígenas vão ao MPF e PF denunciar invasores de terra

18 Mar 2016 - 06h00Por Débora Zampier
Capitão da Aldeia Bororó, Gaudêncio Benitez  e Silvano Duarte, do Conselho Indígena, chegam com advogados à delegacia da PF. - Crédito: Foto: Marcos RibeiroCapitão da Aldeia Bororó, Gaudêncio Benitez e Silvano Duarte, do Conselho Indígena, chegam com advogados à delegacia da PF. - Crédito: Foto: Marcos Ribeiro
O capitão da Aldeia Bororó, Gaudêncio Benitez, o vice-capitão da Aldeia Jaguapirú, Silvio de Leão, e o presidente do Conselho Indígena da Aldeia Bororó, Silvano da Silva Duarte, procuraram ontem a delegacia da Polícia Federal de Dourados e o Ministério Público Federal para denunciar que o grupo de índios que invadiu diversas propriedades particulares nas imediações da Reserva Indígena de Dourados, agora ameaçam invadir a própria Aldeia Bororó. "A gente não concorda com as ocupações que esse grupo está fazendo, mesmo porque os líderes não são da reserva, são professores, funcionários públicos e até de outras etnias", enfatiza Gaudêncio Benitez. "A gente estava só observando esse momento até anteontem, quando esse grupo tentou invadir as terras da Aldeia Bororó, ameaçando expulsar as famílias e agredindo verbalmente as mulheres", completa o capitão.


Segundo as lideranças, a situação está muito crítica e o confronto entre os próprios índios é iminente. "Um grupo de mais de 100 índios que moram na Aldeia Bororó está se amando com facão e foice para se defender desse grupo que agora ameaça invadir as terras dos próprios índios", denuncia Silvano da Silva Duarte. "Não concordamos com as invasões das chácaras vizinhas e dos terrenos na área urbana, mas a gente não tinha se manifestado até agora porque não tinham invadido nossas terras, mas agora eles querem repetir o que fizeram anos atrás, quando expulsaram mais de 20 famílias da Aldeia Bororó e se apossaram das casas delas", enfatiza o presidente do Conselho Indígena da Aldeia Bororó.


O vice-capitão da Aldeia Jaguapirú, Silvio de Leão, reclama da omissão da Fundação Nacional do Índio (Funai) neste episódio. "Procurei a Funai hoje para relatar o que está ocorrendo e alertar para o risco de confronto entre os índios da Aldeia Bororó e os terenas que estão tentando tomar as terras do próprios patrícios", explica Silvio de Leão. "Infelizmente eles não deram atenção para o problema e falaram apenas que vão convocar uma reunião entre as lideranças da Reserva Indígena para discutir o problema", completa o vice-capitão Jaguapirú.


As lideranças revelam que o clima entre os terena que invadiram as áreas vizinhas e os próprios bororó ficou tensa na noite de anteontem. "Os terena chegaram a avisarm as mulheres bororó que eram para desocupar as casas porque eles iriam tomar as terras, mas elas reagiram e juntaram um grupo de mais de 100 índios para colocar eles para correr", relata Silvano Duarte. "Hoje (ontem) já são mais de 200 índios fazendo a segurança na região do Boquerão, nos fundos da Aldeia Bororó, para impedir que eles entrem nas nossas terras", completa. "Diante disso, estamos pedindo ajuda das autoridades da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Funai para impedir uma tragédia", completa.


As lideranças indígenas foram à PF e ao MPF acompanhadas pelos advogados Nilson Alexandre Gomes, Márcio Ricardo Benedito e Diego Zanoni, este último da Associação dos Novos Advogados.

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