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Editorial

Jovens Alcoolizados

12 Fev 2011 - 07h00

#Jovens Alcoolizados

#Jovens Alcoolizados

O Conselho Tutelar de Dourados vem travando, há anos, uma guerra que ainda está longe de ser vencida, mas que, certamente, suas pequenas batalhas foram suficientes para livrar muitos jovens do alcoolismo. É uma guerra desleal, onde, de um lado está um braço do Poder Judiciário que trabalha em condições mínimas e, de outro, estão os donos de bares, lanchonetes, conveniências e distribuidoras de bebidas que não pensam duas vezes antes de entregar um engradado de cerveja ou um litro de vodka nas mãos de um adolescente.

O problema, porém, não é exclusividade de Dourados, já que a cena se repete por todos os Estados brasileiros e a impunidade acaba fazendo com que cada vez mais jovens aca-bem seduzido pelo álcool. Nesse ritmo, os brasileiros estão começando a ingerir bebida cada vez mais cedo, de forma que aos 12, 13 anos já é possível encontrar meninas e meninos em total estado de embriaguez, sobretudo nas noites de final de semana quando a maioria desses jovens acaba mergulhando na bebida.

O mais grave é que a partir do álcool, considerado uma droga lícita, para a maconha e outras substâncias ilícitas, é um pulo. Por isso, a guerra que está sendo travada pelo Conselho Tutelar merece o apoio total da sociedade douradense e deve servir de exemplo para os demais municípios de Mato Grosso do Sul onde, por falta de opção de lazer, os menores perdem a infância através do alcoolismo.

É penoso. Ao final da guerra, o Conselho Tutelar de Dourados espera ter cons-cientizado o maior número possível de adolescentes sobre os riscos que o álcool oferece ao organismo, desde o desenvol-vimento de uma úlcera, até a evolução para uma cirrose hepática e a morte. Porém, os conselheiros terão uma missão ainda mais dura a cumprir, que é mostrar para os jovens que se envolvem prematuramente com as bebidas que eles serão adultos alcoólatras e que suas vidas irão se transformar em um verdadeiro inferno diante da incapacidade de curar essa doença. Dourados, município consolidado como Cidade Universitária e que chega a 2011 com a oferta de quase 100 cur-sos superiores, deve se mobilizar na guerra contra o alcoolismo entre os jovens.

O alcoolismo que está assassinando a juventude, tem sido o responsável direto pela mazela de milhões de famílias em todo o Brasil e, mais agravante, tem sido o fator preponderante para o aumento da violência urbana. Tanto, que algumas cidades da Grande São Paulo, por exemplo, conseguiram reduzir os índices de homicídios depois que criaram leis impe-dindo os bares de continuarem abertos após as 23h.

Não precisa argumento maior para fazer alguém parar de beber e, nesse momento, surge um novo questionamento: por que a Lei Seca não saiu do papel em Dourados, fechando as portas dos bares após as 23h? Por falar em porta de bar, tão importante quando conscientizar os jovens dos perigos contidos nas doses de bebidas, é identificar e punir os comerciantes inescrupulosos que vendem cerveja, cachaça, conhaque, coquetéis ou qualquer outro tipo de bebida para menores de idades. Ao invés de tratar o menor embriagado como infrator, a polícia deveria entender que infrator é aquele que, em nome do lucro, desrespeita o Artigo 81 do Estatuto de Defesa da Criança e do Adolescente.

Esse tipo de gente não merece ser classificada como comerciante e deveria, a bem da sociedade, responder criminal-mente pelo crime de venda de bebida alcoólica para menores. Melhor: deveria ser responsabilizado diretamente por toda e qualquer infração que um menor embriagado cometer. Quem sabe assim, aqueles que vivem do outro lado do balcão pensem duas vezes antes de entregar uma garrafa de cachaça para qualquer pessoa com menos de 18 anos de idade. O fato é que o Conselho Tutelar, Juizado de Menores, Comissariado, Polícia Militar e Guarda Municipal não precisam fa-zer esforço concentrado para descobrir os pontos onde os jovens urbanos compram bebidas em Dourados.

Hoje em dia, um menor passa tranquilamente pelo caixa de qualquer supermercado com uma garrafa de bebida e só precisa pagar para não ser barrado. Da mesma forma, as lanchonetes, sem exceção, vendem todo tipo de bebida aos adolescentes, enquanto nos bares da periferia eles bebem no balcão, como qualquer adulto alcoólatra. Passou da hora de as autoridades darem um basta nessa triste realidade.

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