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João Abbott – O primeiro médico de Dourados

18 Dez 2015 - 10h25
Rozemar Mattos


Em 1905, após adquirir grande área de terras dos supostos herdeiros do Barão de Antonina, o dr. João Frederico Abbott, conhecido como dr. João Abbott, muda-se do Rio Grande do Sul com a família para o então município de “Nioac”, fixando residência na fazenda parador na região da picadinha. A compra dos imóveis foi registrada no cartório de “Nioac”, em 19 de maio de 1906.


Nesta época, o então Distrito Policial de Dourados contava com pouco mais de 50 famílias, residindo em fazendas e chácaras. A chegada de um médico mesmo que residindo distante mudava a rotina do lugar.


A permanência do dr. João Abbott, em Dourados, durou pouco mais de 10 anos e a sua atividade médica foi comprovada por relatos de pioneiros e registros de óbitos nos cartórios de Ponta Porã e Dourados. Em dezembro de 1916, consta no cartório de Paz de Dourados, registro de óbito assinado pelo médico João Abbott. O atestado de óbito do pioneiro Joaquim Teixeira Alves, registrado em 20/02/1916, foi assinado por João Abbott.


Junto com João Abbott vieram para o Mato Grosso irmão e sobrinhos, Raul Abbott, seu irmão, foi engenheiro chefe do distrito sul dos telégrafos, residindo em Ponta Porã e Aquidauana, o Coronel Ruben Abbott, outro de seus irmãos foi tabelião em Ponta Porã. Ruben Abbott Filho, sobrinho de João Abbott, casou-se com Zilda Rocha, irmã de Antônio Alves Rocha, um dos primeiros farmacêuticos de Dourados.


O dr. João Abbott nasceu em São Gabriel (RS) no dia 6 de fevereiro de 1856, filho do também médico Jonatas Abbott Filho e de Zeferina Fernandes Barbosa. Formou-se em medicina no Rio de Janeiro e exerceu a profissão em sua cidade natal e em Porto Alegre. Na capital gaúcha, dividiu consultório com o dr. Ramiro Barcelos, o “Amaro Juvenal”, senador que também ficou conhecido pelas sátiras da política.


Filiado ao Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), criado em fevereiro de 1882, destacou-se na propaganda republicana gaúcha. Já sob o regime republicano, nas eleições de maio de 1891 – conduzidas por seu irmão Fernando, que em março fora nomeado governador do Estado –, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte estadual, sendo um dos membros da comissão histórica que emitiu o parecer de 1891 sobre o projeto de Constituição do Estado do Rio Grande. Após foi diretor-geral de instrução pública no Rio Grande do Sul. A convite de Júlio de Castilhos, em 1895, João Abbott assumiu a Secretaria do Interior e Exterior. Permaneceu no cargo até 1905, já sob o primeiro governo de Borges de Medeiros, quando renunciou para mudar para o Estado do Mato Grosso. Após anos à frente da Secretaria do Interior e Exterior no Rio Grande do Sul, em 1906, João Abbott foi eleito deputado federal pelo 3º distrito do Estado e exerceu seu mandato de 3 de maio daquele ano a 31 de dezembro de 1908.


Um fato interessante na trajetória do primeiro médico douradense prende-se ao fato que quando de sua primeira eleição para deputado Federal já residia no Estado de Mato Grosso, ou seja, na fazenda parador, em Dourados, e, mesmo aqui residindo, foi reeleito em 1909, mostrando, assim, grande prestigio.


Na publicação dos candidatos do partido Republicado levada a efeito em 24 de janeiro de 1909 constava o nome de João Abbott com menção ao fato de residir no Mato Grosso. Exerceu seu mandato de 3 de maio seguinte a 31 de dezembro de 1911.


Na câmara, apresentou entre outros projetos o de reformulação dos correios e na justificativa mencionou que “no longínquo Mato Grosso, os correios não atende a população”. Após dois triênios na Câmara dos Deputados, afastou-se da vida política e voltou a se dedicar à medicina e à vida de fazendeiro.


O exercício do mandato foi, evidentemente, prejudicado pela distância em que residia, sendo algumas vezes substituído por ausência em comissões importantes na qual participava na Câmara, como exemplo, a Comissão de Saúde Pública.


De Dourados, transferiu residência para Aquidauana e mantinha ainda residência no Rio de Janeiro, onde veio a falecer em 20 de março de 1925. A notícia da morte de João Abbott foi matéria de capa dos jornais “O Paiz”, do Rio de Janeiro, e A Federação, de Porto Alegre, enaltecendo a figura do médico, importante político Republicano e, mesmo afastado do Rio Grande, continuou adepto dos princípios do partido e das causas Riograndenses. João Abbott foi casado com Luísa Barreto Flores, conhecida como Lisette. Teve os filhos Ophelia Abbott, Heloísa, João Abbott Filho e Luiz.

*Advogado e presidente da Associação dos Pioneiros.

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