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Editorial

Inflação x alimentos

10 Dez 2015 - 11h13
Depois de 12 anos, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) superou a barreira dos pontos percentuais e fechou os últimos 12 meses em 10,48%, resultado, principalmente, do aumento de 1,01% no custo de vida somente no novembro, volume 0,19 ponto percentual acima da taxa de 0,82% registrada em outubro. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e demonstra que o governo federal começa a perder o controle sobre o custo de vida, mesmo porque os 10,48% significam a taxa mais alta para um mês de novembro desde 2002, quando o índice ficou em 9,93%. Em novembro de 2014, por exemplo, o mesmo IPCA registrou alta de 0,51% e fechou o acumulado do ano em 9,62%, volume muito maior que os 5,58% apurados em igual período de 2013. Mais uma vez, os combustíveis tiveram influência significativa nas despesas das famílias, representando um aumento de 5,14% no custo de vida somente no mês de novembro de 2015, mas a sensação é que esse percentual está aquém da realidade brasileira, já que o preço da gasolina subiu quase 10% nas bombas.


Ainda assim, o IBGE garante que o aumento no preço dos combustíveis correspondeu a 8,42% da inflação, motivada pelo reajuste de 6% vigente em nível das refinarias desde 30 de setembro, mas, no acumulado no ano, os preços subiram 18,61%. A capital onde o preço da gasolina subiu menos, revela o IBGE, foi Campo Grande com médios 10,40% e a maior alta foi registrada em Recife, onde o combustível ficou 24,35% mais caro. Já em relação ao etanol, os preços subiram, em média, 9,31%, com o acumulado no ano ficando em 26,10%, enquanto a menor variação sendo registrada em Fortaleza, com 12,71%, e o maior aumento ficando em Curitiba, com 33,14%. O grupo alimentação e bebidas liderou a alta no custo de vida segundo a pesquisa IBGE, passando de 0,77% para 1,83% no mês de novembro e acumulando mais de 18% no ano. Por Estado, a maior alta foi verificada em Goiânia, onde a taxa de passou de 1,18% para 1,44% entre outubro e novembro, seguido por Campo Grande, com elevação de 1,18% para 1,29%, enquanto a menor variação foi registrada em Brasília, onde o IPCA caiu de 1,24% para 0,66%.


Foi justamente a alimentação que mais pesou no bolso do brasileiro. Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revela que o valor dos produtos que compõem a cesta básica aumentou, em novembro, nas 18 capitais avaliadas. As maiores altas foram registradas em Brasília, onde o custo de vida subiu 9,22%; Campo Grande, com alta de 8,66%; Salvador, com elevação de 8,53% e Recife com aumento de 8,52%. A capital onde a cesta básica custa mais caro continua sendo Porto Alegre, onde o consumidor precisa desembolsar R$ 404,62 para alimentar uma família com quatro pessoas, seguida por São Paulo onde a cesta básica custa R$ 399,21 e Florianópolis, onde a cesta foi vendida a R$ 391,85. As capitais que apresentam os menores valores da cesta básica de alimentos foi Aracaju, onde o custo ficou em R$ 291,80; Natal, com a cesta custando R$ 302,14 e João Pessoa, onde uma família paga R$ 310,15 pela cesta de alimentos. Diante desta realidade, o Dieese estima que o valor mínimo do ganho mensal de um trabalhador, para suprir as necessidades básicas de uma família com quatro pessoas, deveria ser de R$ 3.399,22.


Nunca é demais lembrar que o descontrole inflacionário praticamente dizimou toda economia brasileira entre 1984 e 1994, quando, enfim, a estabilidade foi alcançada pelo Plano Real comandado pelo então ministro Fernando Henrique Cardoso. Agora, com a inflação batendo na casa de 11% no acumulado dos últimos 12 meses, as pessoas começam a perder o sono. É inegável que esse índice está muito distante da realidade vivida, em 1985, quando a inflação de fevereiro atingiu a marca de 10,87% e fechou o ano em 242,24%, ou do aumento apurado em fevereiro de 1988, quando bateu a marca de 15,70% e fechou o ano em 980,22%, mas também é patente a necessidade de o governo adotar medidas capazes de impedir que o custo de vida continue subindo. Quem tem mais de 30 anos de vida ainda traz na memória da inflação acumulada ao longo de 1989, quando atingiu a marca de 1.972,91% e o que dizer da inflação medida em 1993 quando o índice chegou a estratosférico 2.477,15%, com a medição de fevereiro ficando em 24,98%?

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