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Índios levam Dourados para a Copa

21 Mar 2011 - 19h04
Ìndios de Dourados começam a confeccionar peças a partir do capim - Crédito: Foto: César FirminoÌndios de Dourados começam a confeccionar peças a partir do capim - Crédito: Foto: César Firmino
Valéria Araújo

DOURADOS – Do talo do capim de brachiária surge uma nova esperança para homens e mulheres indígenas de Dourados. O produto, vira a principal matéria-prima para a produção de mais de 5 mil peças de acessórios que serão comercializados para turistas durante a Copa do Mundo de 2014.


São brincos, pingentes, colares entre outros adornos que ganham vida nas mãos dos artesãos. Além de divulgar a cultura regional, o projeto leva emprego e renda para famílias da Reserva de Dourados. O capim utilizado apenas na arte da cultura indígena de Dourados é a aposta para evidenciar o trabalho da Reserva Brasil a fora. A iniciativa é do grupo Guaté da aldeia Jaguapirú, em parceria com a Associação de Mulheres Indígenas de Dourados (Amid).

De acordo com o coordenador do Grupo Guaté, Vanderley Martins Pontes, a coleção exclusiva para a Copa leva design e matérias-primas típicas da região da Grande Dourados. Além do Capim, são sementes de leucena, jatobá, pau-brasil, juá, olho de cabra, rosário, chapéu-de-napoleão e casca de coco.

Segundo ele, hoje o grupo conta com 15 artesãos, mas a expectativa é de aumentar este número para 50. Por mês estes indígenas já produzem 500 peças. Elas são comercializadas em dois pontos da cidade, na área central e no shopping de Dourados. Estes pontos, além da organização do grupo e divisão do lucro ocorre através de parceria com o projeto economia Solidária da prefeitura de Dourados.

Na Reserva os artesãos estão animados para o desafio da Copa. São homens e mulheres que já estão colhendo matéria-prima e aprimorando o que apreenderam desde crianças. A artesã Cleide Gonçalves Nunes, diz que produz acessórios há mais de 10 anos. Para ela, esta é uma forma de manter viva a cultura.

Telma Bertulino diz que a expectativa do novo trabalho é aumentar a renda familiar. “Eu fico sozinha em casa mesmo nos afazeres domésticos. Com as crianças na escola consigo ter um tempo para me dedicar a produção das peças. É bom porque agente pode ensinar os filhos e aumentar ainda mais a produção e o lucro, além de manter viva a cultura”, destaca.

O Grupo Guaté surgiu em 2005 e integra indígenas das etnias guarani e terena. A incorporação de novas técnicas e matérias-primas industrializadas em suas peças, evidencia a tendência de um artesanato também direcionado a um mercado mais seletivo, integrado ao seu tempo, levando a cultura a tradição da arte indígena a um público maior, sem perda da sua identidade.

Hoje a divulgação deste trabalho acontece em feiras municipais, estaduais e nacionais, em intercâmbios culturais ou nas lojas selecionadas. Segundo Vanderlei, presidente da entidade, a ida à copa será possível através de parcerias e patrocínios que a entidade já está buscando.

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