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Indios compram alimentos vencidos

14 Jul 2011 - 22h38
Comércio ilegal nas aldeias usa artifícios para ludibriar clientela indigena - Crédito: Foto: Hédio Fazan/PROGRESSOComércio ilegal nas aldeias usa artifícios para ludibriar clientela indigena - Crédito: Foto: Hédio Fazan/PROGRESSO
Valéria Araújo

DOURADOS – Indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru estariam sendo vítimas de grupos de comerciantes que invadem a Reserva para vender produtos estragados ou vencidos. A denúncia é de lideranças indígenas. De acordo com o cacique Renato de Souza, há exploração por parte dos vendedores em relação as famílias menos esclarecidas. Fato preocupante é que para garantir a venda, os comerciantes fazem de tudo. Alguns retém cartões de benefícios dos indígenas em troca da comida vencida.

Os artifícios para ludibriar a comunidade são vários, conta o cacique. Segundo ele, quando a carne está estragada alguns comerciantes que atuam nas aldeias usam condimentos especiais para modificar o gosto e aparência do produto. “Os mais inocentes são atraídos pelo custo barato”, disse.
Renato diz que já mapeou comércios que fazem esta atividade.

Segundo ele, tudo está sendo repassado à Fundação Nacional do Índio (Funai). “Queremos que estes maus comerciantes sejam barrados de entrar na Reserva. Nossos patrícios estão sendo explorados de forma cruel. É preciso entender que eles compram estes produtos porque são enganados e não sabem se defender. Alguns não sabem nem ler”, destacou.

FUNAI

A coordenadora regional da Funai em Dourados, Maria Aparecida Mendes, disse ao O PROGRESSO e ao site Douradosagora que uma equipe da Funai fará Operação de controle da entrada de qualquer produto nas aldeias, sem autorização. Ela explica que ninguém pode entrar na Reserva sem o conhecimento da Funai e esta decisão é prevista em legislação.


Segundo ela, a ação será possível devido ao apoio de demais forças policiais que integram a Operação Tekohá. “Infelizmente, pela Reserva ser muito extensa, a Funai não tem pessoal suficiente para fiscalizar todas as entradas. O mesmo não ocorre em aldeias menores como a de Caarapó, por exemplo. Lá, somente pessoas cadastradas num rigoroso sistema de controle podem ter contato comercial com os indígenas”, observa.


Segundo ela, tudo que for flagrado de forma irregular nas aldeias será apreendido. Ela destaca uma carga grande de bebidas, que foi apreendida durante a operação policial nos últimos dias.

CARTÕES

As denúncias de retenção de cartões por comerciantes de Dourados chegaram ao conhecimento do Ministério Público Federal. De acordo com o procurador da república, Marco Antônio Delfino de Almeida, duas operações foram realizadas no ano passado para coibir a prática. Na ocasião, comerciantes foram denunciados à Justiça e respondem a processo.


Conforme o procurador, diante das novas denúncias o MPF pode iniciar novo arrastão no município para combater a irregularidade. O ideal para evitar este tipo de crime, segundo o procurador, seria uma fiscalização policial permanente, o que ele está tentando viabilizar. O procurador alerta que o comerciante flagrado pode responder por crime de estelionato e se condenado ser obrigado a cumprir penas que chegam até quatro anos de prisão.



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