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Indígenas vivem 'confinados', diz professor sobre casos de violência

02 Jul 2011 - 10h47
Fonte: Matéria


CAMPO GRANDE- Relatório sobre a violência contra povos indígenas no país divulgado na quinta-feira (30) mostra que Mato Grosso do Sul concentra o maior índice de assassinatos do país, e responde por 57% das ocorrências no país em 2010. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), que elaborou o documento, aponta que 34 das 60 mortes violentas foram registradas no Estado.

O coordenador de estudos sobre povos indígenas e professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Antônio Brand, disse que a escalada da violência nas aldeias é efeito do adensamento populacional indígena ocorrido nas últimas décadas a partir do avanço da agricultura na região sul do Estado. "Os guaranis viviam em pequenas comunidades com uma administração interna própria. A partir dos anos de 1970 entram a soja e a mecanização da agricultura, e a mão-de-obra indígena foi sendo dispensada. Essas pessoas migravam para as reservas e começou um processo de confinamento", afirma.

Como exemplo, o pesquisador mencionou que Dourados possui a maior densidade populacional de índios no país, cerca de 13 mil indivíduos em duas aldeias próximas à área urbana. Outro componente que agrava a situação de violência, segundo Brand, é a tensão interna provocada pela escassez de terra. "Esses povos têm sua organização social baseada no parentesco, e a proximidade gera muitos conflitos. É preciso ampliar espaços como forma de reduzir essa tensão. O problema é muito difícil e complexo de se resolver", diz o estudioso.

Para contabilizar os dados, o Cimi baseou-se em reportagens publicadas pela imprensa local em todas as regiões do país. O órgão afirma ainda que desde 2003 a média em Mato Grosso do Sul é de 30,5 assassinatos de indígenas por ano. O índice corresponde a 55% dos crimes cometidos anualmente no país.

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