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Indígenas reclamam que são alvos de ataques químicos

27 Jan 2016 - 09h32
Indígenas reclamam que aviões despejam agrotóxicos sobre a comunidade e as nascentes de água. - Crédito: Foto: DivulgaçãoIndígenas reclamam que aviões despejam agrotóxicos sobre a comunidade e as nascentes de água. - Crédito: Foto: Divulgação
Indígenas de Mato Grosso do Sul reclamam de ataques químicos que vêm afetando a saúde do povo Guarani e Kaiowá da Terra Tey’i Juçu. As queixas foram dirigidas ao presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), João Pedro Goncalves da Costa; à subprocuradora-Geral da República e coordenadora da Sexta Câmara do Ministério Público Federal (MPF), Deborah Duprat; ao Ministro da Justiça, Eduardo Cardozo e à Corregedoria Geral da Polícia Federal.


No tekoha, segundo os indígenas, as famílias Guarani e Kaiowá que vivem no território denunciam os ataques químicos realizados contra a comunidade ao longo do ano passado e que, conforme afirmam, se intensificaram entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016.


Segundo a comunidade, os ataques têm sido realizados com aviões, que despejam agrotóxicos sobre a comunidade e as nascentes de onde os indígenas coletam água para beber.


De acordo com os Guarani e Kaiowá, em junho de 2015, três ataques com veneno já haviam sido vistos pela comunidade que resiste em Tey’i Juçu.


Ainda conforme os indígenas, entre 20 de dezembro de 2015 e 12 de janeiro de 2016, pelo menos outros quatro ataques com veneno foram verificados pelos Guarani e Kaiowá.


Eles afirmam que, em diversas ocasiões, esses ataques são acompanhados pela presença de pistoleiro e outras formas de violência contra os indígenas. Alerta, também, que famílias da tekohá com muitas crianças têm passado mal e adultos e idosos têm apresentado sintomas de intoxicação.


Atualmente, 25 famílias entre várias outras que transitam pela área resistem na tekoha Tey’i Juçu, terra indígena reconhecida pela Funai e cujo estudo para demarcação iniciou em 2008.


O Relatório de Identificação e Delimitação (RCID) com os resultados deste estudo, depois de sete anos, já está em condições de publicação e depende apenas da ação da Funai, afirmam eles.


Os Guaranis e Kaiowás declararam que, em dezembro de 2014, cansados de esperar pelo andamento do processo de demarcação e preocupados com a destruição das matas e recursos naturais do território tradicional, em função da monocultura de cana-de-açúcar e soja praticada em fazendas sobrepostas à área, cerca de 100 famílias indígenas retomaram 70 hectares do que eles consideram seu território tradicional.

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