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‘HU deveria assumir Oncologia em Dourados’

11 Mai 2016 - 06h00
Na avaliação do médico Ronaldo de Souza Costa, HU deveria assumir oncologia em Dourados. - Crédito: Foto: Marcos RibeiroNa avaliação do médico Ronaldo de Souza Costa, HU deveria assumir oncologia em Dourados. - Crédito: Foto: Marcos Ribeiro
O médico e sindicalista Ronaldo de Souza Costa, de Campo Grande, diz que a crise no setor de Oncologia em Dourados pode ser contínuo caso o serviço permaneça nas mãos do setor privado. O Hospital Evangélico, rede particular, é o único credenciado no Sistema Único de Saúde (SUS) para oferecer tratamento de câncer na cidade, enquanto quem deveria assumir o serviço é o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), diz o médico. A unidade informou não ter interesse em assumir a oncologia.


Conhecido no Estado por oferecer denúncias contra o desmonte de serviços oferecidos nos hospitais públicos, principalmente de oncologia, Ronaldo Costa foi quem denunciou em 2007 em Campo Grande a conhecida "máfia do câncer". "A portaria 741-2005 do Ministério da Saúde preconiza que o atendimento de oncologia deve ser integral, num só lugar, e não de forma fragmentada como acontece em Dourados. Essa crise de falta de recursos, de pacientes que interrompem tratamento de quimioterapia é antigo e mostra o quanto há interesses por trás disso tudo. O HU deveria assumir esse serviço, para isso bastaria se credenciar ao Ministério da Saúde, porém não vemos esse interesse da unidade", disse o médico ao O PROGRESSO.


Com as denúncias oferecidas por ele no Ministério Público da Capital, a justiça constatou, após investigações, que os hospitais particulares estariam se apropriando do serviço de oncologia com o apoio das unidades públicas, que chegaram até a rejeitar do Ministério da Saúde equipamentos para setor de radioterapia. Ronaldo Souza critica a forma como o atendimento continua sendo prestado em Dourados, com crise que se arrasta na oncologia. "O prejudicado é somente o paciente e até quando isso irá se estender", indagou.


Há 5 anos o setor de oncologia do Hospital Evangélico em Dourados, apelidado como Hospital do Câncer, dispensa pacientes de quimioterapia por falta de medicamento para o tratamento. Este setor, construído com dinheiro de doações da sociedade, fica num terreno em anexo ao Evangélico, mas é administrado por uma empresa terceirizada, o Centro de Tratamento de Câncer Dourados (CTCD), que vive em "guerra" com o Evangélico.


Por ser credenciado no SUS, embora seja particular, o Evangélico recebe do governo federal recursos públicos para manter a oncologia. Também recebe equipamentos.


Semana passada o Ministério Público Estadual (MPE) notificou o Evangélico a assumir a oncologia em 30 dias. O hospital comunicou o CTCD, que tem recusado entregar a dministração do setor, alegando ter contrato por mais 3 anos e que bastaria os recursos serem enviados em dia para o atendimento de quimioterapia não ser interrompido. Enquanto o impasse persiste,pelo menos 128 pacientes seguem sem tratamento de quimioterapia, por causa da briga de recursos entre Evangélico e CTCD. A Secretaria de Saúde municipal anunciou esta semana que irá abrir licitação para contratar novo prestador de serviço de oncologia. Por meio de sua rede social, o médico Mário Eduardo Rocha, um dos diretores do CTCD, se manifestou que sua empresa irá concorrer ao processo para continuar na administração da oncologia.

Solução


Segundo o médico Ronaldo Costa, caberia ao HU, maior hospital público da cidade e com maior número de profissionais, tomar a iniciativa de assumir o setor de oncologia, para isso deveria solicitar credenciamento ao SUS. "O hospital particular é quem deve ser complemento de atendimento ao hospital público, e não ao contrário como acontece em Dourados e vinha acontecendo em Campo Grande. Uma unidade pública tem prioridade em receber recursos do governo, bem como de prestar serviço em qualquer área de saúde, mas vejo que há uma prevaricação, ou seja, hospitais públicos deixam de assumir um serviço para transferir responsabilidade para unidades particulares", questiona o médico e sindicalista.


O HU-UFGD disse por meio de sua assessoria ao O PROGRESSO que a unidade não possui, neste momento, interesse em se credenciar para o serviço de oncologia no município, considerando também que não há edital publicado para o credenciamento de instituições para desempenhar a referida atividade. Além disso, informou que o HU-UFGD não preencheria os requisitos necessários para esse atendimento, o que demandaria a realização de obras de adequação da infraestrutura do hospital e, atualmente, não há recursos financeiros disponíveis para essa finalidade.

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