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Editorial

Greve na Educação

16 Mar 2011 - 06h04

#Greve na Educação


Todas as escolas estaduais e grande parte das municipais estarão de portas fechadas hoje em Mato Grosso do Sul numa greve relâmpago, de apenas um dia, envolvendo professores, coordenadores pedagógicos, diretores e funcionários administrativos da Educação.

A causa é justa, mesmo porque os educadores não reivindicam nada além do necessário para melhorar a qualidade do ensino público em Mato Grosso do Sul, a começar pela necessidade de implantar o piso salarial nacional para uma jornada de 20 horas; a eleição direta de diretores das escolas no primeiro semestre; o respeito à autonomia das escolas; a redução do número de alunos por sala de aula; a redução da jornada do professor em sala de aula; melhores condições de trabalho; capacitação contínua como forma de garantir novas metodologias de ensino e, também, a oferta de apoio de psicopedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos nas escolas públicas do Estado.

Os educadores também brigam por melhorias salariais, mas o fato é que essa guerra seria desnecessária se o governo entendesse que a Educação começa pela valorização do corpo docente.

Nessa questão salarial está o principal entrave das negociações entre o governo do Estado e os sindicatos de todo o Mato Grosso do Sul por meio da Federação dos Trabalhadores na Educação (Fetems), já que a categoria reivindica in-corporação de 40% referente à regência de classe, mais 1/3 da diferença entre o vencimento base atual e o piso nacional e ainda a reposição da inflação de 2010, bem como o reajuste para os servidores administrativos da educação nos mesmos índices oferecidos aos professores. Nesse cenário, fica claro que a paralisação desta quarta-feira deverá se transformar numa greve geral por tempo indeterminado, uma vez que os indicados para negociar com os educadores não têm autono-mia para firmar qualquer acordo.

No final, a conta ficará para os estudantes e seus familiares, que terão os períodos de férias sacrificados pelo calendário escolar diante da necessidade de repor os dias que, fatalmente, serão perdidos pela greve que se aproxima. Culpar quem por isso! Os educadores que lutam por seus direitos ou o governo que ignora esses direitos?

Enquanto a queda de braço entre governo e educadores persiste, a educação vai de mal a pior. Tanto que um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que apenas 48,7% dos brasileiros enxergaram alguma melhoria na educação nos últimos anos. O mais grave é que 27,3% dos 2.773 entrevistados foram taxativos ao afirmar que não viram qualquer mudança, enquanto outros 24,2% acreditam que o sistema educacional brasileiro piorou nos últimos anos.

As regiões mais desenvolvidas, onde as pessoas são mais politizadas, concentram as principais críticas, tanto que o Sudeste registrou o maior percentual de avaliações negativas: 36,1% acreditam que a educação piorou, enquanto no Nordeste esse grupo representa apenas 14% da população. No Centro-Oeste, região que abriga o Mato Grosso do Sul, exatos 62,9% dos entrevistados afirmaram que a qualidade melhorou, mas, nessa mesma região, os estudantes apresenta-ram desempenho, no máximo, regular nas avaliações feitas pelo próprio Ministério da Educação.

O fato é que aqueles que detêm melhor formação são mais críticos em relação à qualidade da educação, tanto que a percepção sobre a qualidade da educação varia de acordo com a renda e a escolaridade dos entrevistados. Para exatos 35,4% dos entrevistados que têm nível superior completo ou pós-graduação, a educação brasileira piorou nos últimos anos, enquanto entre os que estudaram só até os últimos anos do Ensino Fundamental, apenas 21,4% têm a mesma opini-ão.

Entre os que ganham de dez a 20 salários mínimos, verificou-se o maior percentual de respostas negativas: 34,2% acreditam que o ensino está pior, enquanto na população com renda mensal de até dois salários mínimos, somente 19,3% têm essa percepção. São números como esses que o Estado tem que analisar na hora de ir para a mesa de negociação com os educadores, ou seja, não basta a imagem que o governo tem da educação que ele oferece e sim o que a sociedade pensa na hora de avaliar a qualidade do ensino que é ofertado.

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