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Gastroplastia soluciona obesidade mórbida

14 Abr 2011 - 09h19
Indicada para pessoas com muito peso - as que sofrem da chamada obesidade severa -, a gastroplastia é uma esperança para quem já tentou todas as dietas e tratamentos possíveis e não conseguiu emagrecer. Os resultados demonstram que a gastroplastia permite a perda de até 40% do peso e, acima de tudo, abre as portas para uma vida livre dos inúmeros problemas provocados pela extrema obesidade.

A gastroplastia também é conhecida como cirurgia bariátrica e tem como principal objetivo a redução do peso do corpo. Essa cirurgia reduz o estômago em cerca de 20 centímetros cúbicos. Isso acontece por meio das variadas técnicas existentes. Dentre elas, a mais aceita nesse tipo de cirurgia é a gastroplastia vertical com bandagem ou Capella Forbi: coloca-se uma cinta de polipropileno antes da anastomose (comunicação) do pequeno estômago com o intestino delgado. Especialistas acreditam que essa seja a técnica mais segura de gastroplastia e que pode permitir a redução de até 40% do peso da pessoa em um período de um ano.

A cirurgia diminui a capacidade do estômago em suportar a quantidade de alimentos, devido a sua redução. Com isso, o estômago enche-se rapidamente. A mensagem de saciedade é transmitida ao cérebro e faz a pessoa comer bem menos do que antes. \"Recomenda-se essa cirurgia quando todos os tratamentos clínicos, incluindo dietas, exercícios físicos e psicoterapia, já foram tentados sem sucesso\", explica Carlos Armando Lopes, coordenador da área de Alta Complexidade do Ministério da Saúde.

O consenso entre os profissionais de saúde é de que a cirurgia deve ser realizada quando a pessoa apresenta índice de massa corpórea (IMC) acima de 40 Kg/m². A recomendação da gastroplastia para quem tem IMC acima de 40 Kg/m² é regulamentada por uma portaria do Ministério da Saúde.

A partir do momento em que o paciente se submete a uma gastroplastia, ele deve estar consciente de que seus hábitos passarão por mudanças radicais. Isso significa que ele terá que comer bem menos do que antes. Com a redução da capacidade do estômago, se o paciente tentar ingerir grande quantidade de comida, poderá vomitar ou regurgitar.

O paciente também pode sofrer um efeito inverso e comer ainda menos do que a sua capacidade de absorção. O resultado disso será a desnutrição. \"Quem se submete à cirurgia deve manter um acompanhamento médico permanente\", indica Carlos Armando. O acompanhamento médico tem início antes da cirurgia. Nesse período, o médico orienta o doente sobre o custo/benefício do método cirúrgico. O paciente é avaliado por um certo período antes que se recomende a cirurgia.

Na opinião de Carlos Armando, a gastroplastia traz grandes vantagens para o obeso mórbido. Além dos benefícios à saúde, Carlos Armando vê melhoras na auto-estima do paciente. \"O obeso tem consigo uma valoração negativa sobre sua competência, já que falhou muitas vezes num comportamento tão básico como o de se alimentar. Sua sensação é de falência e sua avaliação fica presa nesse ciclo vicioso de perder peso e, depois, invalidar todo seu sacrifício\", observa.

O coordenador de Alta Complexidade do Ministério da Saúde alerta que a gastroplastia precisa ser feita junto aos hospitais credenciados. O procedimento não deve acontecer de maneira indiscriminada e sem necessidade. \"A cirurgia realizada de forma indevida pode acarretar vários problemas, como riscos cirúrgicos imediatos e pós-operatórios, complicações nutricionais e até distúrbios emocionais\", observa Carlos Armando. \"Deve-se informar que é necessário um acompanhamento emocional na fase pré-operatória, para evitar problemas como a depressão\", ressalta.

ALTO RISC - Estar acima do peso não é algo recomendável. Estar muito acima é pior ainda. A obesidade mórbida ou severa é acompanhada de uma série de complicações que comprometem a saúde e põem em risco a vida do paciente. São distúrbios cardiovasculares, ortopédicos, digestivos, endócrinos, dermatológicos e respiratórios, sem contar os problemas sociais e psicológicos, causados pela perda da auto-estima e pelo preconceito.
As estatísticas dão o alerta de uma situação perigosa. O obeso mórbido apresenta o risco de morrer dez vezes maior que uma pessoa com peso normal.

A expectativa de vida também é reduzida - 20% a menos do que teria com uma massa corpórea bem menor. Existem vários procedimentos para o tratamento da obesidade, já que ela pode apresentar causas diferenciadas, de fatores endócrinos e hereditários a uma rotina desregrada. Vale mencionar que uma alimentação adequada - com mais fibras e menos gorduras - e exercícios físicos de forma sistemática são absolutamente necessários para uma vida saudável.

Evitar a obesidade, não apenas a mórbida, é prevenir uma série de agravos à saúde, como a hipertensão e a diabetes. Essas doenças atingem milhões de pessoas no mundo inteiro. Suas complicações, além de levar à morte, resultam em enormes gastos para os sistemas de saúde.

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