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Editorial

Flagelo urbano

17 Jan 2011 - 07h05
Passaram-se muitos acontecimentos importantes no Brasil. Eleições, posses de presidentes, governadores, deputados estaduais, federais, senadores e percebeu-se que pouco se tem falado sobre um verdadeiro flagelo urbano chamado crack. Mais do que um problema social, as cenas que estamos acostumados a ver sobre o tema são simplesmente de assombrar qualquer pessoa, por menos sensível que possa ser. Jovens andando em círculo, sem sentido, sem objetivo ou identidade, sem memória, enfim, somente o corpo ainda respondendo aos estímulos, pois o cérebro já está corroído pela droga, tão fácil de escravizar o ser humano.

É preciso um debate nacional sobre o assunto que traga resultados no sentido de garantir tratamento aos viciados para que pelo parte deles tenham suas vidas resgatadas, antes que seja tarde demais. É necessário um conjunto de medidas começando pela preparação de clínicas públicas especiais para dependentes. Aliado a isso que venham medidas enérgicas de combate ao tráfico de drogas. Com as clinicas particulares, onde este tipo de tratamento custa em média R$ 2.000,00 por mês, o governo poderia estabelecer convênios para custear o tratamento já que na rede pública muitas vezes falta até mesmo material básico de saúde.

A situação é tão preocupante, já que o crack está se disseminando para as cidades do interior, e se nada de concreto for feito para conter este avanço, corremos o risco de manter a epidemia para sempre.
A droga chegou às pequenas cidades, que não têm estrutura para combater o problema é o que aponta um levantamento da Confederação Nacional dos Municípios. Até pouco tempo isso era assunto para as grandes cidades. Hoje, na mesma proporção de destruição de vidas humanas, o crack se alastra, uma vez que já está na maioria absoluta dos municípios brasileiros, sem exceção, até nas áreas predominantemente rurais.

Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com 3.950 prefeituras - ou 71% do total - mostra que a droga chegou a 98% das cidades analisadas. Cerca de 70% delas têm menos de 20 mil habitantes.

A conclusão do estudo mostra que o Plano de Enfrentamento ao Crack do governo federal é insuficiente para conter o avanço da droga, pois restringe suas ações aos municípios com mais de 20 mil habitantes - 30% do total. No levantamento feito pela CNM, apenas 3% das prefeituras declararam ter aderido ao programa. \"Não há política organizada de combate ao crack, não há estratégia de enfrentamento no país\", diz Paulo Ziukowlski, presidente da Confederação.

No mesmo levantamento fica claro que nove em cada dez cidades não têm um programa municipal de combate ao crack e entre as que possuem, mais de 60% não recebem qualquer apoio dos governos federal ou estadual. Apenas 15% das cidades onde houve pesquisa possuem Centro de Atenção Psicossocial (CAP), para tratamento de dependentes.

Os dados serão usados para pressionar o governo a intensificar a fiscalização sobre as fronteiras por onde a cocaína entra no país e aumentar o controle sobre os produtos químicos usados na composição do crack. A entidade defende ainda uma descentralização dos recursos aplicados no combate à droga. É espantosa a previsão de que podemos chegar nas próximas décadas a um universo de 10 milhões de brasileiros consumindo crack.
Especialistas também calculam que a epidemia do crack irá causar 300 mil mortes em até seis anos no país.

O levantamento da Confederação Nacional dos Municípios contatou as 5.563 prefeituras do país. Destas, 3.950, das 27 unidades da Federação, responderam às 12 perguntas do questionário aplicado. A CNM deve passar agora para uma análise regionalizada a respeito do avanço do crack no país.

Ninguém está livre do crack, que antes era consumido apenas pelos mais pobres que não tinham condições de adquirir cocaína. Hoje o avanço revela um quadro de consumo que atinge diferentes classes sociais. A maior preocupação no, caso, é com o avanço da dependência nas escolas, onde os menores ao consumir o produto caminham para abreviar suas vidas.

Os dados acima apresentados já são de conhecimento das autoridades brasileiras, porém muitas delas, fazem ouvidos moucos ao problema, tratando-o, não como uma epidemia social, mas sim, como um problema isolado que ainda não atingiu suas famílias.


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