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Famílias indígenas recebem agasalhos e alimentos doados

10 Jun 2016 - 19h00
O PREOGRESSO entrega agasalhos para comunidade indígena. Foto: Valéria Araújo - O PREOGRESSO entrega agasalhos para comunidade indígena. Foto: Valéria Araújo -
Famílias indígenas receberam doações de agasalhos e alimentos na tarde desta sexta-feira. Os donativos foram deixados na sede de O PROGRESSO, que iniciou esta semana uma campanha de arrecadação. Para a guarani Cristiane Machado, as doações chegaram em boa hora. "Eu estou desempregada e a situação fica muito difícil em épocas de frio. Se não fossem as doações, hoje eu só teria um punhado de macarrão com água para dar aos meus filhos. Para mim foi um socorro muito importante da população de Dourados. Obrigado a todos os que ajudaram", destaca.

A guarani kaiuá Silvana de Souza, diz que há anos mora em um barraco de lona porque nunca conseguiu uma casa. "O frio castiga mais as famílias que não tem onde morar. Ainda mais quem não tem nem como se proteger. Que bom que ainda tem gente que se importa com a gente", disse.

#### Deficit

A cidade de Dourados, que concentra a mais populosa reserva indígena do Brasil, tem déficit de 1,7 mil casas. A maioria das famílias vive em péssimas condições de moradia, sob barracos de lona, sem saneamento básico e água potável, já que a reserva passa por desabastecimento.

Em barracos de lona ou sapé, mães criam os filhos em condições precárias. O calor extremo, o frio e a sede constante são os desafios da comunidade.

De acordo com o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena, Fernando de Souza, o fator preocupante é que em situações precárias de moradia, a vulnerabilidade em relação à saúde de crianças e idosos aumenta.



Recentemente o Progresso mostrou a história da indígena Sebastiana Fernandes, que mora há seis anos num barraco de lona com os 10 filhos. São crianças de dois a 16 anos. Ela diz que não está cadastrada em nenhum programa social, porque nunca foi procurada por nenhuma instituição e não sabe como se cadastrar. Ela diz que criar os filhos em barraco é um desafio constante. Conta que foi abandonada pelo marido e que, de lá para cá, só tem esta alternativa.

A indígena caiuá-terena, Luciana Aparecida Reginaldo, de 28 anos, sempre viveu em barracos de lona, desde criança até agora, depois que se casou e teve os dois filhos. Ela diz que os piores dias são os de chuva. "A água entra e inunda tudo. Molha comida e roupas", destaca.

Ela diz que a família sempre viveu dos "bicos" que o marido consegue como servente de pedreiro. "Dá para garantir o alimento diário, mas não o conforto que gostaria de oferecer às minhas crianças. Sem uma casa é tudo mais difícil. Passamos frio e, para nos esquentar, tenho que fazer fogo dentro do barraco, muitas vezes, arriscando a nossa vida com a fumaça", conta.

O indígena Anderson Ferreira Cabreira, de 21 anos, é vítima do confinamento. Contou recentemente, ao O PROGRESSO que o pai se matou quando ele era criança, devido aos problemas de falta de estrutura na Reserva. A mãe dele, também vítima da miséria vivida pela comunidade, morreu há alguns anos. Ele hoje trabalha e busca uma forma de melhorar a vida. Diz que nunca conseguiu se cadastrar em programas sociais de habitação e que a casa de eternit e lona foi a única alternativa.

### Só no papel

Um projeto entre a Prefeitura de Dourados e Fundação Nacional do Índio (Funai), que garantiria 440 novas casas para a aldeia de Dourados, ficou só no papel. Seriam 200 casas para a aldeia Bororó, 200 para a Jaguapiru e 40 para a do Panambi. Conforme Fernando de Souza, em 2013, foram elaborados projetos que contemplassem os requisitos para participar do Programa do Ministério das Cidades para as aldeias do Brasil. "Discutimos com a comunidade um modelo de casa que levasse conforto e ao mesmo tempo preservasse a cultura indígena. A Prefeitura, em conjunto com a Funai, enviou toda a documentação a Brasília. O projeto chegou a ser aprovado, mas de lá para cá nada aconteceu", explica.

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