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Família alega erro e UPA descarta falha médica

17 Fev 2016 - 10h24
Irmão de vítima mostra receita, mas UPA diz que não significa liberação do paciente. - Crédito: Foto: Cido CostaIrmão de vítima mostra receita, mas UPA diz que não significa liberação do paciente. - Crédito: Foto: Cido Costa
Familiares de Wesley Alves da Silva, 19 anos, morto horas depois de deixar a UPA em Dourados, no último sábado, alegam erro médico. Eder Alves, afirma que o irmão teve alta mesmo sentindo dores, vindo a passar mal em casa. Encaminhado ao Hospital da Vida na noite do mesmo dia, Wesley morreu na madrugada de domingo. A direção da UPA contesta e alega que o paciente deixou a unidade sem receber alta.


Na manhã de ontem, Eder, familiares e amigos protestaram em frente à UPA. Para eles, Wesley foi liberado por um médico e como prova apresentaram uma receita, com indicação de medicamento diclofenaco, levado pelo jovem quando deixou a unidade. A família vai procurar a justiça. “A vida de meu irmão não vai voltar, mas não queremos que isso se repita com outros pacientes”, lamentou o irmão do jovem.


Wesley se envolveu em acidente quando conduzia uma motocicleta no início da tarde de sábado. Socorrido, foi encaminhado pelo Corpo de Bombeiros à UPA, dando entrada às 13h50. Segundo o médico e diretor técnico da unidade, Antônio Flávio Bichofe, o paciente foi atendido por um médico plantonista e como praxe, recebeu uma receita de pré-prognóstico, sendo enviado para o setor observação.


O paciente, ainda de acordo com o médico, passou por avaliação neurológica e fez exame de raio-X, da coluna cervical, para verificar eventual fratura, o que não foi constatado. “Estar com receita em mãos não significa alta médica. Ainda mais para envolvidos em acidentes automobilísticos que devem permanecer em observação por pelo menos 12 horas”, explicou o médico, garantindo que não há nenhuma possibilidade de ter ocorrido alta.


O diretor da UPA informou que Wesley permaneceu na unidade até às 16h20, duas horas e meia após dar entrada, depois disso não foi mais encontrado e não atendeu a chamado. Durante o período de permanência, ainda segundo Antônio Flávio Bichofe, o paciente foi avaliado periodicamente por equipe de enfermagem e médico plantonista, embora tenha mostrado resistência. “Ele passaria por outros exames, todos feitos na UPA e caso constatasse algum agravo seria levado para o Hospital da Vida, unidade de portas abertas”, informou o médico. Ele analisa o caso de Wesley como atípico, porque pacientes vítimas de acidentes não deixam a unidade sem passar por todo o processo de observação e bateria de exames.


Em casa, o jovem passou mal, sendo encaminhado ainda no sábado, às 21h, pelo Samu ao Hospital da Vida, porém ele não resistiu e morreu na madrugada de domingo, antes de dar entrada na sala de cirurgia. O PROGRESSO entrou em contato com a unidade para saber sobre os procedimentos adotados para salvar o paciente, mas até o fechamento desta edição não recebeu retorno.

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