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UEMS/UFGD

Estudantes clamam por segurança na cidade universitária

06 Abr 2016 - 06h00
Estudantes protestam em frente à biblioteca da UFGD, perto de onde teria ocorrido o estupro. - Crédito: Foto: Hédio FazanEstudantes protestam em frente à biblioteca da UFGD, perto de onde teria ocorrido o estupro. - Crédito: Foto: Hédio Fazan
Homem de 36 anos foi preso pela Polícia Civil em Dourados acusado de estuprar uma estudante, de 25 anos, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). O crime teria ocorrido na manhã segunda-feira, próximo à biblioteca da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). As duas instituições ocupam o mesmo espaço, o campus denominado como ‘Cidade Universitária’. Inconformados com o crime, estudantes protestaram na manhã de ontem em frente a biblioteca.



Com cartazes e palavras de ordem, eles debateram a falta de segurança no campus e o machismo presente nas universidades, dentro e fora da sala de aula. Muitas estudantes desabafaram no microfone, algumas choraram, demonstrando insegurança e indignação. "Viemos para estudar e, agora com um caso desse, o momento é de pânico", diz Ana Luiza Lages, acadêmica de nutrição da UFGD. "O problema não é só a falta de segurança e a falta de consciência sobre o respeito às mulheres", acrescentou.


A mãe da vítima foi quem procurou a delegacia para denunciar o estupro. Ela contou que a filha chegou em casa e correu para o banho. Ao estranhar a cena, a mulher questionou a filha, porém a jovem informou, primeiramente, que uma amiga teria sido abusada, mas acabou confessando que ela foi a vítima.


O homem conhecia o campus universitário; teria, inclusive, trabalhado até 2014 na UFGD, em cargo de manutenção predial, contratado por empresa terceirizada. Ele possui passagem na polícia por furto, roubo e vias de fato em situação de violência doméstica. Desta vez foi autuado em flagrante acusado de estupro.


A delegada titular da Delegacia da Mulher, Paula Ribeiro dos Santos, diz que a perícia foi até à universidade em local apontado onde ocorreu o estupro, porém não há confirmação que o crime teria ocorrido nas imediações da biblioteca. Segundo ela, o acusado nega o crime. Quando trabalhou na UFGD. o acusado cumpria pena em regime semiaberto, em que o albergado trabalha normalmente por oito horas diárias e retorna para o presídio. A empresa que o contratou na época tinha em seu quadro de empregados outros detentos, porém desde o ano passado deixou de contratar albergados, a pedido da própria UFGD.

Medidas


As duas universidades têm grupos de pesquisas de diversidade, raça, gênero e etnia. Segundo o reitor Fábio Edir, da UEMS, a partir de agora assuntos relacionados ao machismo serão ampliados, de forma que crimes contra mulheres não se repitam. Ainda de acordo com ele, a estudante vem recebendo apoio jurídico e psicológico da universidade.


A reitora Liane Calarge, da UFGD, repassou imagens de circuito de câmeras da universidade para contribuir com a investigação da polícia e diz que debates também serão ampliados na universidade, inclusive sobre medidas de segurança. "Vamos reunir a comunidade acadêmica para definir quais as melhores formas de garantir segurança a todos", disse ela, que reconhece problemas de iluminação na UFGD no período noturno.


Muitos blocos são distantes uns dos outros e a escuridão toma conta do campus. A UFGD tem vigia em cada bloco no período matutino e à noite mantém segurança com rondas. Em último caso, segundo a reitora, está a opção de manter segurança armado no campus.

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