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Estradas precárias deixam estudantes fora da escola

23 Mar 2016 - 10h04
Estudantes do Panambi reivindicam transporte para a escola no distrito de Indápolis e indígenas a manutenção das estradas. - Crédito: Foto: Hédio FazanEstudantes do Panambi reivindicam transporte para a escola no distrito de Indápolis e indígenas a manutenção das estradas. - Crédito: Foto: Hédio Fazan
Estradas precárias na aldeia Panambizinho no distrito de Panambi, em Dourados, têm provocado evasão escolar de estudantes da escola municipal Pai Chiquito-Chiquito Pedro. Ônibus escolar deixou de adentrar na aldeia e, com isso, muitas crianças e adolescentes deixaram de frequentar a escola. Ambulâncias também não circulam no local e a comunidade reclama que está esquecida pelas autoridades públicas.


Ontem, indígenas da Panambizinho, produtores rurais e moradores do próprio distrito fecharam a MS 379, de acesso a Panambi. Eles reivindicam melhoria nas estradas da aldeia e recapeamento da rodovia estadual, deteriorada e sem acostamento. Ano passado três pessoas morreram na via. Estudantes do Ensino Médio do Panambi também participaram do movimento. Eles dizem que a Secretaria de Educação retirou uma van que levava os alunos para o distrito de Indápolis, já que em Panambi só existe escola do ensino fundamental.


Para não deixar os filhos perderam aula, muitas mães indígenas acordam os filhos na madrugada e percorrem com eles até quatro quilômetros até a MS 379, única via por onde circula o ônibus escolar que leva os estudantes até o distrito de Panambi. Sônia Capilé diz que sai de casa às 5h. "Tenho criança que estuda de manhã e à tarde e fica muito difícil caminhar com eles principalmente no escuro da madrugada", reclama.


Ana Cristina Aristides sai de casa pouco antes das 5h. Ela tem duas filhas na escola, de 8 e 4 anos, e diz que demora quase uma hora para chegar até a rodovia. O ônibus colhe os estudantes indígenas pouco depois das 6h. "Nossas crianças machucam o pé, porque andam no escuro, e em dia de chuva ficamos sem sair de casa", conta a indígena.


O agente de saúde da Panambizinho, Reginaldo Aquino da Silva, relata que até a ambulância deixou de atender os indígenas. Quem passar mal e precisar de socorro tem que deixar a casa e chegar até a rodovia para só depois conseguir transporte ao hospital. O professor indígena Fábio Concianza, da escola Pai Chiquito-Chiquito Pedro, diz que grande parte das escolas tem metade dos alunos em sala de aula. "Muitas crianças moram em regiões afastadas da aldeia e fica muito difícil caminharem até a MS 379 para pegar o ônibus", relata sobre o motivo da evasão. A professora Rosane Gonçalves Costa confirma o problema. "Em dia de chuva elas chegam molhadas na escola e com isso notamos baixo rendimento escolar", pontua.

Novo bloqueio


O bloqueio da rodovia foi interrompido no início da tarde de ontem, porém a comunidade não descarta novo fechamento. Os manifestantes foram recebidos pelo coordenador regional de governo, Valdenir Machado, que assegurou haver recursos para recuperar rodovias em Panambi e outros distritos. "Não deram prazo para nós para recuperar a MS 379, mas se notarmos que nada será feito, vamos fechar novamente a pista", avisa Reginaldo Aquino. Ontem mesmo, durante o protesto, a prefeitura de Dourados enviou dois maquinários para iniciar patrolamento de vias na aldeia Panambizinho.

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