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Editorial

Era ética

19 Jan 2016 - 10h14
Por muito tempo no Brasil existiu um conceito completamente errado, permissivo e prejudicial ao País que era o famigerado ditado dirigido aos políticos principalmente que ocupavam o poder executivo: “Ele rouba mas faz”. Esse ditado permaneceu por muito tempo na mente dos ingênuos levados por um pensamento difundido até pelos próprios políticos porque o interesse de muitos era de que o teor deste pensamento que parecia sem gravidade perdurasse entre os eleitores porque assim este estilo de corrupto permaneceria mais tempo no poder. O próprio eleitor foi percebendo o verdadeiro sentido da palavra “roubar” na esfera política que mais tarde recebeu uma nomenclatura mais leve, de corrupção.


O tempo foi passando e aos poucos a população foi acordando e hoje o assunto corrupção virou interesse de todas as pessoas de bem que passaram a sentir que vinham sendo ludibriadas e antes isso não acontecia porque não havia tantas informações como hoje onde quem rouba dinheiro público vai mesmo para a cadeia.


O perverso pensamento de quem “rouba, mas faz” embora não seja ainda tão aceito falta muito para ser eliminado do vocabulário popular. Mas graças ao esforço das autoridades serias deste País principalmente os que compõe os ministérios públicos Estadual e Federal os rumos estão mudando. Mas é necessário que os bons não se calem, criem coragem e entrem para a campanha em 2016 engrossando uma nova era política chamada “Era Ética”.


O antigo conceito foi cada vez mais caindo no ridículo e se engana quem pensa que somente as pessoas sem nenhum esclarecimento é que costumavam conviver com isso achando que “roubar e fazer” era a atitude mais normal do mundo. Tinha gente de todas as classes sociais que conviviam pacificamente aceitando e votando em políticos com essa maldita fama, que felizmente com o passar dias esta virando coisa do passado.


A Operação Lava Jato pode ser considerada como um divisor de águas neste conceito. O interesse da sociedade pelo assunto é cada vez mais crescente e o que se nota é indignação geral daqueles que procuram levar uma vida correta neste País de tantos péssimos exemplos. E o pior é que esses péssimos exemplos não vem de lado e sim de cima, o que contamina com mais intensidade o cidadão.


A pouco tempo de completar um ano de criação, o site com informações sobre a operação “lava jato”, produzido pelo Ministério Público Federal, já tem mais de 1 milhão de acessos. No endereço www.lavajato.mpf.mp.br, a entidade publicou o histórico das investigações tanto na primeira instância, em Curitiba, quanto junto ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, responsáveis por julgar as acusações contra pessoas com prerrogativa de foro.


Até dezembro de 2015, foram instaurados 1.016 procedimentos com 396 buscas e apreensões, firmados 40 acordos de colaboração premiada com pessoas físicas e 5 acordos de leniência com as empresas envolvidas.
Os procuradores da República que atuam no caso ofereceram 36 acusações criminais contra 179 pessoas pelos crimes de corrupção, organização criminosa, lavagem de ativos, entre outros. Os crimes envolvem pagamento de propina de cerca de R$ 6,4 bilhões, sendo que R$ 2,8 bilhões já foram recuperados pelo MPF, que também pediu o ressarcimento de R$ 14,5 bilhões na Justiça.


Todos esses números estão disponíveis no site da “lava jato”, onde também é possível encontrar a íntegra das denúncias apresentadas pelo MPF, as decisões judiciais já proferidas, artigos sobre o caso, perguntas e respostas, entre outros documentos. O site foi lançado em 28 de janeiro de 2015 pela Secretaria de Comunicação da Procuradoria-Geral da República e é atualizado constantemente. Vale a pena ser mais um brasileiro a acessar.


Um trabalho sério que aos poucos revela o maior esquema de corrupção já montado no Brasil e um dos maiores do mundo. Apesar de ter pouco tempo de criação, a força-tarefa de procuradores da operação “lava jato” começa 2016 com a perspectiva de durar pelo menos mais três anos e a meta de responsabilizar também partidos cujos integrantes atuaram no esquema de corrupção na Petrobras. A força-tarefa foi ganhando credibilidade porque demonstrou imparcialidade durante os procedimentos, tanto que diferentes cores partidárias foram implicadas e o pau que até agora bateu em Chico também bateu em Francisco.

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