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Editorial

Empreiteiras da Lava Jato

11 Jun 2016 - 06h00
Empreiteiras da Lava Jato -
Levantamento realizado pelo portal Contas Abertas revela que o governo federal segue honrando contratos de obras firmados com pelo menos 11 empreiteiras investigadas por corrupção pela Operação Lava Jato, de forma que entre janeiro e maio deste ano a União repassou R$ 662,6 milhões às empresas. Ainda que o valor esteja diminuindo em função da recessão econômica, as empreiteiras ainda não sofreram punições que as tenham impedido de continuar a executar as obras em andamento, e até mesmo de firmarem novos contratos com o governo federal desde que o escândalo da Lava Jato veio à tona. Desde 2013, por exemplo, quando surgiram as primeiras provas de desvios de recursos públicos através do esquema de corrupção que se instalou na Petrobras, o Tesouro Nacional desembolsou R$ 9,2 bilhões para as empreiteiras denunciadas na Lava Jato. Neste ano, dos R$ 662,6 milhões liberados exatos R$ 377,5 milhões foram para as contas Construtora Norberto Odebrecht, justamente aquela que foi classificada pelo Ministério Público Federal como a empresa mais bem organizada nos quesitos superfaturamento e pagamento de propina.


Esses recursos foram em pagamento à implantação do estaleiro e base naval para construção e manutenção de submarinos convencionais e nucleares em Itaguaí, no Rio de Janeiro, mesmo projeto que rendeu mais de R$ 1 bilhão à empreiteira no ano passado. No ano passado, foram repassados R$ 269,6 milhões à Construtora Norberto Odebrecht, sendo R$ 260,4 milhões para a mesma obra, mas, ainda assim, a empresa demitiu empregados e a expectativa é que ocorram novas demissões no segundo semestre em Itaguaí. Em segundo lugar no ranking de embolso do governo federal neste ano aparece a Construtora Queiroz Galvão S.A. que recebeu R$ 133,7 milhões, sendo R$ 25,8 milhões para as obras de integração do Rio São Francisco com as bacias dos rios Jaguaribe (CE), Piranhas-Açu (PB e RN) e Apodi (RN). Em 2015 essa mesma empresa recebeu R$ 461,6 milhões e 75% deste valor a título de restos a pagar, compromissos assumidos em anos anteriores, mas pagos no exercício anterior. Outros R$ 108 milhões pagos à Queiroz Galvão foram para a construção da segunda ponte sobre o Rio Guaíba e acessos, em Porto Alegre, empreendimento previsto para ser concluído em 2017, mas que está com as obras atrasadas.


A terceira empreiteira da Lava Jato que mais recebeu pagamentos do governo federal neste ano foi a Mendes Junior Trading e Engenharia S.A., que embolsou R$ 101,3 milhões para as obras de integração do Rio São Francisco com as bacias dos rios Jaguaribe (CE), Piranhas-Açu (PB e RN) e Apodi (RN). Mesmo recebendo mais de R$ 101 milhões em cinco meses, a Mendes Junior vive uma situação complicada porque foi a primeira empresa envolvida na Operação Lava Jato a ser punida em um processo administrativo e declarada inidônea pelo Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. Com isso, a empresa não poderá fechar novos contratos com a Administração Pública nos âmbitos federal, estadual e municipal por no mínimo dois anos, o que deverá motivar mais demissões numa das mais importantes empreiteiras do Brasil. Ainda assim, apesar das investigações e da retração de recursos, as empresas da Lava Jato, mesmo se declaradas inidôneas, poderão continuar executando os contratos que possuem com a União.


Mas a farra não é apenas da Odebrecht, Mendes Júnior e Andrade Gutierrez. Levantamento realizado pelo portal Contas Abertas revela que as empreiteiras Galvão Engenharia, OAS, Engevix Engenharia, e Iesa Projetos, todas investigadas na Operação Lava Jato, arrecadaram juntas R$ 2,9 bilhões do governo federal para obras do Programa de Aceleração do Crescimento, soma que não atinge o valor recebido apenas pela Odebrecht. Levantamento realizado pelo portal Contas Abertas revela que as empreiteiras investigadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que colocou na cadeia a quadrilha que sangrava os cofres da Petrobras e deverá indiciar, pelo menos, 100 deputados e senadores envolvidos no esquema de corrupção, tinham trânsito livre no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). Juntas, as empreiteiras Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, Mendes Junior, Galvão Engenharia, OAS, Engevix e Iesa receberam financiamentos de R$ 2,4 bilhões entre 2003 e junho de 2014, em 2.481 operações realizadas em financiamentos indiretos automáticos.

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