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Em MS, 50% dos caminhoneiros decidem parar

10 Nov 2015 - 07h00
Em Nova Andradina movimento trancou  a BR 134 e impediu a passagem de caminhoneiros. - Crédito: Foto: Acácio Gomes/Nova NewsEm Nova Andradina movimento trancou a BR 134 e impediu a passagem de caminhoneiros. - Crédito: Foto: Acácio Gomes/Nova News
O protesto dos caminhoneiros que começou ontem em 12 estados, paralisou as atividades de 50% dos profissionais do setor em Mato Grosso do Sul. É que muitos ficaram em casa e não pegaram a estrada por temerem os bloqueios ao longo do percurso. Ainda ontem, a Polícia Rodoviária Federal registrou protestos em três rodovias do Estado: a 267 em Maracaju (que tinha previsão de ser liberada pelos 80 manifestantes às 17h de ontem), a 463, em Ponta Porã, que foi liberada depois de 2 horas de manifestação e a BR-134 na região de Nova Andradina.

Em Dourados, a categoria não fez bloqueios nas rodovias porque aguarda um comando do movimento nacional. Apesar disso, acompanhando a estatística do Estado, metade do total de 500 profissionais da região decidiram cruzar os braços para não correrem o risco de ficarem bloqueados ao longo das estradas. Segundo a categoria, a maior parte das cargas paradas é de milho e soja, que são levados para outros estados. Além do risco de perda dos produtos isto significa prejuízo para os produtores que ficam sem receber, já que as cargas não chegam até o destino final.

Em Nova Andradina, os manifestantes bloquearam a 134 para a passagem de caminhões e carretas, mas permitiam o tráfego de veículos de passeio, ônibus de passageiros e ambulâncias. Segundo o site Nova News, a interdição da via deverá ocorrer por tempo indeterminado.

Doze estados

Em todo o País, o protesto ocorreu em 12 estados. Os manifestantes, convocados pelas redes sociais pelo Comando Nacional do Transporte, criticam o governo de Dilma Rousseff e pedem o afastamento da presidente. De acordo com o movimento, há manifestações em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, no Tocantins, Paraná, em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e em Pernambuco.

Segundo um dos líderes do movimento no Rio Grande do Sul, Fábio Roque, o grupo não é ligado a sindicatos ou federações. “Somos apartidários e sem cunho político. Nós lutamos pela salvação do país, e isso só será feito a partir da deposição da [presidenta] Dilma, seja por renúncia ou por impeachment”, disse à Agência Brasil. “Muitos caminhoneiros não estão na rodovia, mas parados em casa”, disse Roque. “Nossa preocupação é com o risco de pessoas contrárias ao nosso movimento usar de má fé e atentar contra a vida de pais de família”, acrescentou.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou não ter registrado grandes problemas nas rodovias. Entidades da categoria divulgaram notas em que criticam o protesto. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) classificou como imoral “qualquer mobilização que se utiliza da boa fé dos caminhoneiros autônomos para promover o caos no país e pressionar o governo em prol de interesses políticos ou particulares, que nada têm a ver com os problemas da categoria”. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), entidade filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que os caminhoneiros estão sendo usados em prol de interesses políticos, e que o grupo não representa e não tem compromisso com a categoria. “Os caminhoneiros não precisam de mobilização para derrubar governo. Os caminhoneiros precisam de mobilização para regulamentar frete e preço de frete, para melhorar as condições de trabalho como pontos de parada com estrutura adequada, confortável e segura para atender suas necessidades.

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