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Editorial

Efeitos do impeachment

10 Mai 2016 - 17h43
O plenário do Senado Federal deve confirmar hoje o relatório da comissão especial que referendou a decisão da Câmara dos Deputados sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff e, a partir de amanhã, o Brasil começa a respirar novos ares, a resgatar sua credibilidade internacional, a recuperar a confiança dos investidores e dos consumidores. Serão efeitos positivos para a economia nacional, mesmo porque a instabilidade política, aliada à grave crise institucional, econômica e moral, atingiu todos os setores e vem causando prejuízos imensuráveis ao país, gerando, em média, uma demissão a cada seis segundos com o fechamento de milhares de postos de trabalho todos os meses e mergulhando o país numa recessão sem precedentes na história do país. A demora na solução da crise atrasa ainda mais o processo de recuperação da economia nacional, tanto que especialistas alertam para ameaças ao processo de estabilização do câmbio, do controle da inflação, da retomada da produção caso o Congresso Nacional demore para encontrar uma solução política para a crise institucional.


A sensação é que o país começará a sair da crise com a mudança de governo, mesmo porque pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que a produção industrial brasileira recuou 11,4% em março em relação ao mesmo mês do ano passado, mas, contudo, 12 dos 14 ramos econômicos da produção industrial investigados pelo instituto apresentaram leve crescimento na passagem de fevereiro para março deste ano. Os números revelam que a produção industrial cresceu em dez das 14 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, com as maiores altas sendo observadas nos Estados do Amazonas, que cresceu 22,2%, e na Bahia, com crescimento de 8,1% na atividade industrial. Outros números revelam que a economia pode reagir bem ainda neste ano, mesmo porque, em Santa Catarina, houve crescimento da produção industrial de 3,8%, enquanto, no Paraná, a alta ficou em 2,8%, no Ceará em 2,6%, no Rio de Janeiro, em 2,2% e, em São Paulo, unidade mais rica da Federação, a produção industrial aumentou 1,5% no mês de março.


Por outro lado, houve queda na produção industrial na passagem de fevereiro para março em Goiás, com recuo de 4,3%, no Pará, com menos 3,2%, no Espírito Santo, com queda de 1,7% e no Rio Grande do Sul, com recuo 1,3%. A situação é preocupante porque no acumulado do ano, a queda atingiu 12 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, com destaque para Pernambuco, que recuou 27%, pelo Espírito Santo, com queda 22,4%, e pelo Amazonas, com recuo de 22,1% na produção econômica. Em relação à produção, no acumulado de 12 meses, 13 estados registraram recuo na produção, com as maiores quedas no Amazonas, com perda de 18%, em São Paulo, com recuo de 12,8% e no Pernambuco, com queda de 12,1%. Grande parte desse desempenho industrial é atribuído às crises econômica e institucional, mesmo porque as incertezas em relação ao futuro político do Brasil derrubam a confiança do consumidor, que deixa de comprar e, por consequência, as indústrias deixam de produzir. Fica claro, portanto, que a mudança de governo central pode reanimar o setor e recolocar o país nos trilhos do crescimento.


Outro indício dessa possibilidade é que o número de imóveis novos vendidos em abril, na cidade de São Paulo, atingiu 1.267 unidades, volume 16% menor que o comercializado em fevereiro, mas 28% maior que o apurado no mesmo mês do ano passado. No acumulado desde janeiro, as vendas cresceram 4,4% com a comercialização de 2.856 unidades, com os imóveis de dois dormitórios predominando em todos os indicadores da Pesquisa do Mercado Imobiliário, feita pelo Departamento de Economia e Estatística do Secovi de São Paulo. Dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) revelam que as unidades lançadas em março caíram 26,9% em relação ao mesmo mês de 2015, totalizando 565 imóveis residenciais, mas na comparação com fevereiro este número representou um aumento de 230%. Seria sensato que o Congresso Nacional entendesse que muito mais que uma questão política, o impeachment da presidente da República pode significar o início de uma nova era para a economia nacional, mesmo porque o atual governo não reúne mais condições morais, éticas e de credibilidade para continuar comandando o país.

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