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Editorial

Educando Errado

07 Mai 2011 - 07h05
07.05.2011 - Educando Errado

Estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) e apresentado ontem no Seminário Internacional Educação e Desenvolvimento, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), aponta que o projeto de desenvolvimento econômico do Brasil ainda não trata a educação como prioridade em suas ações e programas de governo.

É isso mesmo! Educação, para o poder público, fica apenas no limite da obrigação imposta pela lei, de forma que prefeitos, governadores e a União investem apenas o mínimo necessário neste setor quando, em regra, deveriam enxergar a educação como o caminho mais sustentável para o desenvolvimento. São inegáveis os avanços que ocorreram na melhoria da qualidade do ensino no última década, sobretudo ao longo dos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, mas, da mesma forma, é inegável que o Brasil ainda não conseguiu traduzir essa intenção em ações efetivas para o garantir o crescimento econômico, cultural e social da nação.


O estudo, conduzido pelo professor Romualdo Portela analisou os principais planos norteadores pelo governo do ex-presidente Lula e constatou que apesar de a educação aparecer como área de ação estratégica, na prática não foi isso que ocorreu no Plano Plurianual (PPA) 2008-2011 e nas duas primeiras edições do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Fica claro que o governo federal criou PAC para tudo, desde os aeroportos até as rodovias federais; da segurança pública até a habitação; do saneamento básico até os transportes; mas não pensou no PAC da Educação.

O descaso do governo federal com essa área é tão acentuado que na primeira edição do PAC a educação praticamente não aparece, enquanto na segunda edição a área é contemplada exclusivamente com investimentos para a construção de 6 mil creches. Ademais, a educação que aparece como um dos três eixos estruturantes para o desenvolvimento do país no PPA, não prevê aumento dos investimentos para que se consiga melhorar a qualidade do ensino e aumentar a escolaridade do trabalhador, de forma que o governo segue fazendo de conta que educa e os brasileiros fazem de conta que aprendem.


O Brasil deveria se espelhar na Coréia do Sul, países que viviam praticamente a mesma situação há 40 anos, com o agravante que a Coréia do Sul acabara de sair de uma guerra civil e estava em frangalhos. Mesmo assim, eram típicas nações do mundo subdesenvolvido, com índices socioeconômicos calamitosos e taxas de analfabetismo que beiravam os 35% de toda população. Há 40 anos, a renda per capita coreana era equivalente à do Sudão, ou seja, girava em torno de US$ 900 por ano, enquanto a renda per capita brasileira era o dobro.

O que a Coréia do Sul fez para reverter essa situação? Investiu pesado em educação, concentrando todos os esforços no Ensino Fundamental para, somente depois, turbinar o Ensino Médio e o Ensino Superior e hoje, quatro décadas depois, a renda per capita dos sul-coreanos é 21 vezes maior que a apurada no final da década de 60 e a sociedade atingiu um patamar de bem-estar invejável, com o Produto Interno dobrando há cada 10 anos e as exportações superando recordes seguidos.


Quer mais? Os sul-coreanos erradicaram o analfabetismo e hoje quase 90% dos jovens estão na universidade. Por outro lado, 13% da população brasileira ainda é analfabeta, ou seja, quase 25 milhões de pessoas não sabem ler e escrever, enquanto a renda per capita anual do brasileiro é menos da metade da renda sul-coreana. Estudos mostram que a Coréia do Sul é obcecada pela educação, tanto que a maioria das escolas públicas exigem que os alunos cheguem meia hora antes das aulas para estudar a lição do dia anterior.

Detalhe: o estudante sul-coreano sai de casa às 7h e volta somente às 16h, com muitos deles ainda optando por aulas noturnas de reforço escolar e todos chegam à 7ª série do Ensino Fundamental resolvendo questões de matemáticas que os alunos brasileiros vão conhecer somente no Ensino Médio. O segredo sul-coreano não está apenas na estrutura escolar ou na dedicação do aluno. Enquanto a maioria dos municípios brasileiros reclamam para pagar o novo piso salarial dos professores, fixado em R$ 1.187,97 por 40 horas semanais, uma professora sul-coreana recebe salário médio equivalente a R$ 10,5 mil.



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