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Editorial

Economia em Frangalhos

02 Jun 2016 - 06h00
Ao mesmo tempo em que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio Contínua (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 11,2% da população economicamente ativa está fora do mercado de trabalho, fazendo com que o país tenha hoje mais de 11,7 milhões de desempregados, surge a informação que o Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, fechou o primeiro trimestre de 2016 em queda de 0,3% na série sem ajuste sazonal, somando R$ 1,47 trilhão em valores correntes. O percentual é bem menor que o apurado no mesmo período do ano passado, quando a retração do PIB ficou em 3,8%, a maior desde o início da série histórica, que começou em 1996, mas, ainda assim, é preocupante saber que a economia ainda deve percorrer um longo caminho até iniciar o processo de recuperação. Praticamente todos os setores da economia avaliados pelo IBGE apresentaram queda na produção, com destaque para Formação Bruta de Capital Fixo, que é o investimento em bens de capital, que teve queda de 2,7%, na comparação com o trimestre anterior, seguido pela indústria com retração de -1,2%, pela agropecuária com queda de 0,3 e pelo setor de serviços com queda de 0,2%.


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta ainda que o setor industrial recuou 1,2% no primeiro trimestre, seguido pela indústria extrativa mineral, com retração de 1,1%, e pela indústria de transformação, que apresentou queda de 0,3% e fechou o período com o sexto resultado trimestral negativo consecutivo. Já a indústria da construção apresentou queda de 1% no PIB, enquanto as atividades de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana caminhou pela contramão da economia com crescimento de 1,9% no primeiro trimestre deste ano. No setor de serviços, a retração na geração de riquezas ficou em 0,2%, com destaque negativo para o comércio que caiu 1% no período, seguido pelo setor de intermediação financeira e seguros, com recuo de 0,8% e dos serviços de informação, com queda de 0,7%. A situação da economia só não é pior porque as exportações de bens e serviços registraram crescimento de 6,5%, enquanto que as importações de bens e serviços recuaram 5,6%, garantindo um superávit de mais de 1,1% e equilibrando a balança comercial brasileira.


O mais preocupante é que essa situação deverá se agravar ainda nos próximos meses em virtude dos cortes nos investimentos federais, tanto que as 68 empresas estatais deixaram de investir mais de R$ 76 bilhões nos primeiros quatro meses do ano, ou seja, de uma previsão orçamentária de R$ 97,2 bilhões as estatais aplicaram apenas R$ 19,8 bilhões. Números do Departamento de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, do Ministério do Planejamento, Governança e Gestão, revelam que o investimento inclui recursos gastos para a aquisição ou manutenção de bens das empresas, de forma que não são considerados no cálculo as despesas de arrendamento mercantil para uso da empresa ou de terceiros; o custo dos empréstimos contabilizados no ativo; benfeitorias realizadas em bens da União por empresas estatais; e benfeitorias necessárias à infraestrutura de serviços públicos concedidos pela União. Um exemplo da queda nos investimentos está na Petrobras, que aplicou apenas R$ 17,4 bilhões nos primeiros quatro meses de 2016, o que representa o menor volume de recursos desde 2008.


Com um prejuízo de R$ 35,4 bilhões no ano passado, a Petrobras reduziu sensivelmente os investimentos nos primeiros meses de 2016, situação que se agravou com a venda de ativos da empresa, depois da decisão de se dedicar somente a área de petróleo, e, também, pela queda do preço internacional do petróleo, que vem se mantendo em cerca de U$ 30 o barril, o que diminuiu a margem de lucro da empresa. Já a Eletrobras investiu R$ 1,3 bilhão no primeiro quadrimestre de 2016, o menor valor dos últimos 10 anos, mesmo tendo previsão orçamentária de R$ 10, 6 bilhões para aquisição ou manutenção de bens das empresas. O setor elétrico também deve sofrer com cortes nos investimentos, mesmo porque a Eletrobras amargou prejuízo de R$ 14,4 bilhões no ano passado, quando somente as empresas de distribuição de energia controladas pela estatal acumularam prejuízo de R$ 5,1 bilhões. Outras empresas estatais como a Infraero, que controla os aeroportos brasileiros, e a Companhia Docas, que coordena os portos, deixaram de investir mais de 80% do orçamento reservado para o período.

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