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É negra a consciência da Umbanda?

05 Dez 2019 - 15h03
É negra a consciência da Umbanda? -

Essa semana vivemos o dia da consciência negra no Brasil, um marco para todos os negros e afro descentes e por que não, de todos os brasileiros? Afinal de contas, em um país onde mais de 54% da população se declara negra, o dia da consciência negra deixa de ser um marco e passa a ser uma realidade. Nós somos negros! E com orgulho.

A história dos negros no Brasil começa com a chegada dos povos africanos, trazidos subjugados pelo colonizador para povoar a terra recém descoberta e trabalhar essa terra, garantindo a propriedade e a riqueza dos senhores de engenho, dos coronéis e da própria aristocracia do recém-nascido país. Uma história não muito bonita e que, 400 anos depois, ainda impacta na vida de todos os negros que são vítimas de racismo.

Em meio a esse pano de fundo social surge a Umbanda, em 15 de novembro de 1908, 20 anos após a abolição da escravatura no Brasil, uma religião pluralista e inclusiva que, nesse primórdio sustentava-se sobre três falanges espirituais: os caboclos, os pretos velhos e os erês. Não foi mera coincidência que os pretos velhos se tornaram a figura mais carismática e bem quista da Umbanda, foi o reconhecimento, pelo plano espiritual, da importância do negro para o Brasil. Que o colocou em um papel central na religião recém-criada.

Então, falar de consciência negra é falar de Umbanda, não apenas referindo-se a cor da pele, mas ao estado de espírito, as atitudes, ao viver em comunidade. Respondendo ao título do texto sim, a consciência da Umbanda é negra, e negra com orgulho! Nascida dentro das senzalas durante os benzimentos, das rezas e batismos. E não é negra apenas na cor da pele, é negra na sua luta, na sua busca por espaço e igualdade. Saravá a Umbanda!

 

* Willian Girassol - Sacerdote da Umbanda 

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