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Dólar terá impacto ainda maior na safra 2016/17, alerta Cesb

15 Dez 2015 - 07h00
Com o dólar próximo de R$ 3,90, alto custo de produção e insegurança na política econômica brasileira, agricultores frearam projetos de expansão da produção na safra de soja, mas o impacto será ainda maior no ciclo seguinte. É o que prevê o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), ao considerar a continuidade da valorização da moeda americana no momento de aquisição dos insumos da safra 2016/17.


Em contrapartida, a entidade confirma a comemoração dos agricultores com as exportações que devem fechar a conta, devido ao sentido inverso do Real, que torna mais competitiva a soja brasileira. O vice-presidente do CESB, Leonardo Sologuren, aponta a burocracia para aquisição de crédito como entrave do atual ciclo, com reflexo na safra seguinte. “O cenário diminui o apetite de investimentos e, os créditos burocráticos, vinculados aos juros elevados, agravam a situação”, afirma. “Para este ano o agricultor adquiriu insumos a preço suportável, mas a alavancada ainda virá, e reduzirá a margem de lucro, diante dos custos com insumos, cuja valorização deve ultrapassar os atuais 40%”, detalha o consultor.


A valoriação do dólar e a instabilidade econômica frearam muitas plantadeiras pelo País. Na região de Dourados, o presidente do Sindicato Rural, Lúcio Damália, alertou para as consequências da valorização do dólar e a necessidade de se produzir continuamente. “Essa alta beneficia as exportações, mas prejudica aqueles que não estão organizados financeiramente, que acabam por não vender os grãos no momento certo e comprando os insumos em momento de alta”, esclarece. A crise assusta o produtor rural, mas, de certa forma, ele não tem como fugir, acaba sendo obrigado a plantar para estimular sua receita na próxima colheita”. Para aqueles que pretendiam aumentar a área na região de Dourados, Damália recomendou cautela. “Aqueles que já plantavam determinada área, não diminuiram, mas quem pretendia aumentar, recuou no ritmo e se atentaram ao mercado futuro”, finaliza.


E mesmo com cenário incerto, a situação poderia ser pior com o dólar em baixa, prevê o consultor do CESB. “Com dólar a R$ 2,50, por exemplo, as cotações em Chicago poderiam levar a saca de 60 quilos de soja na casa dos R$ 40 no Centro-Oeste, o que seria muito pior”, finaliza Sologuren, representante do CESB.

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