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Dívida dificulta tratamento no Hospital do Câncer

21 Jul 2016 - 06h00
Hospital do Câncer de Dourados está com dificuldades para atender a demanda reprimida. - Crédito: Foto: Marcos RibeiroHospital do Câncer de Dourados está com dificuldades para atender a demanda reprimida. - Crédito: Foto: Marcos Ribeiro
O tratamento de câncer na rede pública em Dourados foi retomado no início da semana, porém uma dívida de R$ 1,3 milhão tem dificultado à empresa CTCD (Centro de Tratamento de Câncer de Dourados) a atender a demanda de procedimentos paralisados e de novos pacientes que surgiram durante os dois meses de atendimento interrompido. Grande parte dos pacientes está sendo atendida no Hospital Evangélico.


Em decorrência da briga judicial entre as duas instituições de saúde, foi criado por intermédio do Ministério Público Estadual (MPE) um documento com o fluxo disciplinatório no setor de oncologia do SUS (Sistema Único de Saúde). O Hospital Evangélico, por ser habilitado no Ministério da Saúde a tratamento de câncer, ficou definido como a porta principal de acesso de todos os pacientes. Coube ao Evangélico a maior responsabilidade no tratamento. Por ser detentor do equipamento de radioterapia, caberá ao CTCD realizar este procedimento quando isoladamente ou em conjunto com a quimioterapia.


A briga entre as duas entidades se arrasta há mais de três anos. O CTCD é responsável pela administração do prédio no qual é chamado de Hospital do Câncer, que na verdade é a ala de oncologia do Hospital Evangélico. Construído com recursos de doações da comunidade, o Hospital do Câncer fica em anexo ao Evangélico e desde 1999 o prédio da oncologia é administrado pelo CTCD. Acontece que o Evangélico pede na justiça a saída do CTCD, mas o contrato de permanência da terceirizada no local vai até 2019.


O médico David Infante, um dos responsáveis pelo CTCD, diz que o atendimento voltou, porém o fluxo não é o mesmo como anteriormente devido à falta de recursos para administrar a demanda de tratamento, principalmente da quimioterapia, por depender de medicamentos caros. Segundo ele, a terceirizada tem dívida com fornecedores e para suprir o problema terá que recorrer a empréstimos. "O Hospital Evangélico nos deve um repasse de R$ 1,3 milhão, se recebêssemos esse valor não enfrentaríamos problema", disse ele.


O atendimento de radiologia, de acordo com o médico, é realizado normalmente, porém, o de quimioterapia ainda está sendo discutido junto à Secretaria de Saúde Municipal. Todos os procedimentos de oncologia, conforme determinação judicial, devem ser agendados via Sistema de Regulação (Sisreg) e o pagamento da prestação de serviço do SUS será feito diretamente a instituição que atendeu o paciente.

Normalmente


O Hospital Evangélico reconhece que tem dívida com o CTCD e informou que o valor é discutido e a proposta de acordo foi repassada ao Ministério Público. Disse ainda que não enfrenta problema e os atendimentos aos pacientes de câncer ocorrem normalmente no hospital, tanto que assumiu mais de 200 procedimentos entre consultas médicas e exames que estavam parados no CTCD.


Um balanço fornecido mostra que apenas neste mês de julho [até ontem] o Hospital Evangélico atendeu 105 pacientes com medicação via oral, realizou 500 consultas especializadas nas diversas especialidades da oncologia e fora dela. Ainda prestou atendimento de quimioterapia ambulatorial para 194 pacientes e realizou 56 cirurgias de câncer.

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