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Editorial

Disparada da Inflação

11 Ago 2016 - 06h00
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, e que foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que o preço dos alimentos teve aumento de 0,35% para 0,52% entre junho e julho deste ano, com alta de 0,17 ponto percentual no período, e voltou a puxar o custo de vida para cima em todo o Brasil. Com isso, a taxa acumulada nos últimos doze meses ficou em 8,74%, abaixo, no entanto, dos 8,84% relativos aos doze meses imediatamente anteriores, mas, ainda assim, perto dos dois dígitos. A boa notícia é que nos primeiros sete meses de 2016 a inflação medida pelo IPCA acumula alta de 4,96%, resultado inferior aos 6,83% apurados no mesmo período de 2015, mas, diante da disparada dos preços, nada indica que o custo de vida ficará sob controle até o final do ano. A notícia ruim é que a inflação de julho atinge com maior peso as famílias de menor renda, mais propriamente aquelas que recebem entre 1 a 5 salários mínimos.


Para se ter ideia do quanto a inflação castiga as famílias com renda mais baixa, enquanto o índice que mede a variação de preços juntos às famílias com renda de até 40 salários apontou aumento de 0,52%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação das famílias com renda de até 5 salários, variou 0,64%, resultado 0,12 ponto percentual acima. No acumulado no ano a inflação dos mais ricos ficou em 5,76%, enquanto o custo de vida para os mais pobres subiu 7,42%. As altas foram puxadas com maior voracidade pelos produtos alimentícios, que acumularam alta de 1,63% em julho, quase o dobro dos 0,83% apurados em junho. Na geografia da carestia, a maior alta foi apurada em Goiânia, com aumento de 2,69% dos alimentos comprados para consumo em casa, taxa que ficou acima da média nacional que foi de 2,04%, além da água e esgoto com elevação de 8,79%, o que elevou o custo de vida para 9,10% no acumulado do ano. Por outro lado, a menor inflação foi apurada em Curitiba, com alta de 0,04% sob influência da queda de 11,58% no item energia elétrica, que refletiu a redução de 13,83% nas tarifas em vigor.


O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) revela que o grupo alimentos contribuiu com mais da metade da inflação oficial do país em julho, com a mais elevada variação para os meses de julho desde 2000, quando a alta atingiu 1,78%. Diferente dos meses anteriores, quando a alta do feijão foi determinante para a variação de 0,35% do IPCA frente a maio, em julho o principal vilão foi o leite, com contribuição individual de 0,19 ponto percentual frente ao aumento médio de 17,58% de um mês para o outro. Em quatro das treze regiões pesquisadas, o litro do leite acusou alta superior a 20%, com destaque para Belo Horizonte com aumento de 23,02%, Rio de Janeiro, com alta de 22,47%, Brasília com elevação de 21,76% e Vitória, com majoração de 21,76%. O feijão segue sendo outro vilão do custo de vida, contribuindo para que o item alimentos subisse 32,42% no acumulado do ano, enquanto outros três grupos mostraram aceleração na taxa de crescimento de um mês para o outro, com as chamadas despesas pessoais passando de 0,35% para 0,7%; os artigos de residência saltando de 0,26% para 0,53% e o transportes subindo de 0,4 para 0,53%.


Além da região metropolitana de Goiânia, que teve o dobro da inflação apurada na média nacional de 0,52% em julho, outras dez regiões metropolitanas e municípios fecharam o mês com resultado acima da média, com Salvador apurando alta de 0,93%; Recife, com aumento de 0,92%; Campo Grande com inflação de 0,79%; Belém, com aumento de 0,76%; Belo Horizonte, com majoração de 0,72%; Fortaleza e Porto Alegre, ambas com inflação de 0,66%; Rio de Janeiro com alta de 0,6%; e Vitória, com aumento de 0,56. É inegável que esse índice está muito distante da realidade vivida em 1985 quando a inflação de fevereiro atingiu a marca de 10,87% e fechou o ano em 242,24%, ou do aumento apurado em fevereiro de 1988 quando bateu a marca de 15,70% e fechou o ano em 980,22%, mas também é patente a necessidade de o governo adotar medidas capazes de impedir que o custo de vida continue subindo para o consumidor. Quem tem mais de 30 anos de vida, por exemplo, ainda traz na memória da inflação acumulada ao longo de 1989, quando o custo de vida atingiu a marca de 1.972,91% e o que acumulada nos últimos 12 meses, segundo o Nacional de Preços ao Consumidor Amplo apurado pelo IBGE e divulgado ontem.

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