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Editorial

Desigualdade Salarial

05 Dez 2015 - 07h00Por Do Progresso
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) cruzou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e concluiu que a proporção de maranhenses que viviam em domicílios com renda per capita de até um quarto do salário mínimo caiu quase dez pontos percentuais, entre 2004 e 2014, mas que, ainda assim, o Maranhão é o Estado onde mais se vive com um quarto do salário mínimo mensal, ou seja, R$ 197,00. Detalhe: 23,6% da população do Maranhão sobrevivem com essa renda mínima, percentual quase 17 vezes maior que o de Santa Catarina, onde apenas 1,4% da população vivem com um quarto do salário mínimo. Em Mato Grosso do Sul, revela o IBGE, 2,5% da população vivem com apenas um quarto do salário mínimo, mesmo percentual apurado no Distrito Federal. No outro extremo dos indicadores, Alagoas tem 21,5% da população nesta condição, o Acre aparece com 18%, o Ceará com 17,7% e o Estado do Piauí com 17,4%. Mas alguns Estados melhoraram esse indicador nos últimos 10 anos, como é o caso de Roraima, por exemplo, que tinha 24,3% da população nessa situação em 2004 e passou a ter 8,1% em 2014.


Em outra frente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) revela que o Brasil tem mais de 6 milhões de pessoas que acordam todos os dias sem saber se conseguirão fazer, pelo menos, uma refeição. São cidadãos classificados como em situação de pobreza pelo Relatório de Desenvolvimento Humano 2014 que avalia questões como nutrição, baixa mortalidade infantil, anos de escolaridade, crianças matriculadas em escolas, energia para cozinhar, saneamento, água, eletricidade, moradia digna e renda. Significa dizer que 3,1% da população brasileira, além de não terem renda, vivem sem acesso a educação ou saúde ou condições de vida consideradas decentes, já que para as Nações Unidas a pobreza deve ser medida não apenas de acordo com a renda, mas com as privações que os indivíduos enfrentam para ter qualidade de vida. Esse problema é global, tanto que 1,5 bilhão de pessoas vivem em situação de pobreza hoje em todo o planeta, exigindo dos governantes e da comunidade internacional medidas sustentáveis de combate à miséria.


Os números do Relatório de Desenvolvimento Humano 2014 confirmam pesquisa recente realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para quem os 10% mais ricos da população brasileira embolsam 44,5% do total da riqueza produzida pelo país enquanto os 10% mais pobres recebem apenas 1,1% de tudo que é produzido. Com isso, um brasileiro que está na faixa mais pobre da população teria que reunir tudo o que ganha durante três anos e três meses para chegar à renda média mensal de um integrante do grupo mais rico. Ao analisar o rendimento médio mensal domiciliar, o IBGE constata que os 10% mais ricos ganham, em média, R$ 9.501, enquanto as famílias mais pobres vivem com apenas R$ 225 por mês. Mais: o rendimento médio no grupo do 1% mais rico é de R$ 16.560,92, número que contrasta com o rendimento médio de 50% da população, que está abaixo do salário mínimo de R$ 724. Além disso, os rendimentos médios mensais dos brancos é de R$ 1.538, enquanto os amarelos tem renda média mensal de R$ 1.574, com os grupos de pretos aparecendo com renda média de R$ 834, os pardos com renda de R$ 845 e os indígenas com renda média mensal de R$ 735.


No cenário internacional, 1,2 bilhão de pessoas vivem com US$ 1,25 ou menos por dia, fazendo com que esses seres humanos figurem na linha da pobreza extrema. O Relatório de Desenvolvimento Humano aponta o Níger como o país com maior proporção de pessoas em pobreza multidimensional, com 89% da população nessas condições, ou seja, para cada 100 cidadãos de Níger, exatos 89 acordam todos os dias sem saber se terão o que comer. No Brasil, quando se analisa a proporção de pessoas em situação de pobreza grave, que são aquelas com privação em pelo menos 5 dos 10 indicadores de qualidade de vida, chega-se a conclusão que quase 1 milhão de indivíduos estão em situação semelhante à vivida em Níger, o país mais pobre do planeta. No entanto, mais de 14 milhões de brasileiros, ou 7,4% da população total, se encontram em situação de vulnerabilidade por sofrerem até três privações nos indicadores de qualidade de vida. No Brasil a desigualdade ainda é enorme, tanto que quando se considera a disparidade entre ricos e pobres, o IDH despenca 27% e cai de 0,744 para 0,542.

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