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Editorial

Desemprego Assombroso

16 Mar 2016 - 09h53
Em meio aos protestos da sociedade brasileira contra a política econômica do governo federal, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) revelando que a taxa de desemprego fechou o quarto trimestre do ano passado em 9%, o que significa que 9,1 milhões de pessoas em idade economicamente ativa estavam fora do mercado no final do ano. O volume é 40,8% maior que o apurado no mesmo período de 2014 e revela que a massa de desempregados aumentou em 2,6 milhões de pessoas na comparação com os dois últimos trimestres, configurando o maior crescimento da população desocupada de toda a série da PNAD Contínua. O mais preocupante é que na comparação com o terceiro trimestre de 2015, a taxa de desocupação cresceu 6,5%, fechando quase 600 mil postos de trabalho em todo o país. No quarto trimestre de 2015, cerca de 35,4 milhões de pessoas ocupadas no setor privado tinham carteira de trabalho assinada, o que representa aumento de 2,5% no total de pessoas desocupadas na comparação com igual período de 2014.


Na geografia do desemprego, a região Norte viu o percentual de desocupados saltar de 6,8% para 8,7%, com alta de 1,9 ponto percentual, enquanto a região Nordeste viu o desemprego subir de 8,3% para 10,5%, o Sudeste saltou de 6,6% para 9,6%, o Sul de 3,8% para 5,7% e Centro-Oeste passou de 5,3% para 7,4% da população economicamente ativa. A maior taxa de desocupação foi apurada no Amapá, com 12,5% da população em idade economicamente ativa fora do mercado de trabalho, percentual muito maior que o apurado em Santa Catarina onde o desemprego penaliza 4,2% dos trabalhadores. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua aponta que entre as 27 capitais, Macapá fechou o quarto trimestre de 2015 com a maior taxa de desemprego, quando 14,6% da população em idade economicamente ativa estavam fora do mercado. Os menores percentuais de desemprego no último trimestre de 2015 foram apurados no Rio de Janeiro e em Campo Grande, empatados com índice de desocupação 5,2% Em relação as 21 regiões metropolitanas analisadas, Macapá aparece com desemprego de 13,7%, enquanto Curitiba tem a menor taxa, com 5,2%.


Além da taxa de desemprego de quase 10% da população economicamente ativa, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores brasileiros caiu 2%, fechando o quarto trimestre de 2015 em R$ 1.913, valor 1,1% que o apurado no trimestre anterior quando a média salarial foi de R$ 1.935, e 2% menor que o registrado no mesmo trimestre de 2014, quando o rendimento médio real do brasileiro foi de R$ 1.953. A região o Sudeste tem a maior média salarial com R$ 2.236, enquanto a Nordeste tem a média salarial mais baixa, com R$ 1.276. Entre as unidades da federação, o Distrito Federal apresentou em dezembro média salarial de R$ 3.629, enquanto o Maranhão tinha média salarial de apenas R$ 1.016. Entre as capitais brasileira, Vitória registrou média de R$ 3.951com o maior rendimento salarial, enquanto Belém tem média de apenas R$ 1.581, a menor em todo o Brasil. Entre as regiões metropolitanas, São Paulo tem renda salarial de R$ 3.008, enquanto Belém tem média salarial de R$ 1.481, também a menor do país. Por outro lado, a massa de rendimento real habitual ficou em R$ 171,5 milhões, 2,4% menor que o apurado em relação ao mesmo trimestre de 2014, que ficou em R$ 175,7 milhões.


Ao mesmo tempo em que o desemprego aumenta, a inadimplência dispara: o percentual de famílias inadimplentes chegou a 22,4%, configurando a maior taxa desde julho de 2013, quando o mesmo percentual ficou em 22,4%. O governo, que poderia facilitar o crédito, anda na contramão e mantém as taxas de juros brasileiras entre as mais altas do mundo, superando até mesmo a Argentina, Rússia e países africanos. Parece que empresas e pessoas físicas estão caminhando para a bancarrota, fator que pode ser facilmente comprovado com o aumento de inclusão de nomes no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) de quase todas, senão todas, as cidades brasileiras. As empresas estão encontrando dificuldades para pagar em dia seus compromissos financeiros e acabam puxando a inadimplência para cima, fator que pode interromper até mesmo os índices positivos de geração de emprego em todos os Estados. Esse é o retrato da economia e, para analistas, a situação ainda vai piorar.

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