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Editorial

Descaso com Estudantes

12 Ago 2016 - 09h34
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) anunciou ontem, que quase a metade das escolas públicas ainda não escolheram os livros didáticos que serão usados pelos estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental a partir de 2017. Detalhe: o prazo para que os diretores de escolas indiquem as obras didáticas que vão nortear o aprendizado em todo ano letivo termina hoje e, fatalmente, uma parte considerável dos estudantes será prejudicada pela falta de comprometimento dos educadores. É pouco provável que professores, diretores e coordenadores no Sistema PDDE Interativo, disponível no portal eletrônico do FNDE, consigam cumprir o prazo, mesmo porque em 12,7% das unidades de ensino a seleção das obras ainda estava em elaboração no início da semana, enquanto 34,37% das escolas sequer tinham iniciado o processo, mesmo com a autarquia tendo disponibilizado o Guia de Livros Didáticos 2017, com resenhas e informações de cada uma das obras aprovadas para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Esse é o retrato da educação brasileira, onde nem mesmo os educadores priorizam algo tão indispensável quanto os livros que serão usados no ano escolar.


O Programa Nacional do Livro Didático foi criado para prover as escolas públicas de ensino fundamental e médio de livros didáticos e acervos de obras literárias, obras complementares e dicionários, mas parte considerável dos educadores de todo Brasil ainda ignora a importância dessa ferramenta. Com isso, as coleções didáticas para os anos finais do Ensino Fundamental de língua portuguesa, matemática, língua estrangeira moderna, ciências da natureza, história, geografia e arte, acabam não chegando aos estudantes, fazendo com que a maioria conclua esta etapa da educação com deficiência em diversas áreas do saber. É por essas e outras que o mais recente levantamento realizado pelo Movimento Todos Pela Educação aponta que nove em cada dez municípios brasileiros não atingiram o percentual mínimo de alunos com desempenho adequado em matemática no 9º ano do Ensino Fundamental, ou seja, somente 10,8% dos municípios atingiram a meta intermediária calculada para que, em 2022, bicentenário da Independência do Brasil, pelo menos 70% dos alunos tenham aprendizado adequado nesta disciplina.


Os números revelam que na disciplina português apenas 29,6% dos municípios atingiram o nível intermediário, de forma que o percentual de cidades que atingem as metas do Todos Pela Educação vem caindo gradativamente nos últimos anos. Em 2009, por exemplo, 83,7% dos municípios cumpriram a meta para o ano em português no fim do ensino fundamental e 42,7%, em matemática, revelando que os bons resultados que vêm sendo observados nos anos iniciais não estão tendo repercussão nos anos finais. Isso ocorre porque o país não tem metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino, tanto que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) considera nove níveis de desempenho na Prova Brasil, sem definir qual é o adequado. O mais preocupante é que 3% dos estudantes com idade entre 7 e 14 anos estão fora da sala de aula, volume que salta para 5% se forem incluídas as crianças em idade de frequentar a pré-escola. Cabe enfatizar que os 3% que estão fora da escola representam um universo de 1,7 milhão de crianças em idade escolar, o que aponta uma grave distorção no ensino brasileiro.


O mais grave é para cada 100 alunos que entram na primeira série, somente 47 terminam o 9º ano na idade correspondente, enquanto 14 concluem o Ensino Médio sem interrupção e apenas 11 chegam à universidade. Mais: 61% dos estudantes do 5º ano não conseguem interpretar textos simples e não dominam regras gramaticais, enquanto 60% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental não interpretam textos dissertativos. Com um desempenho desse, fica impossível atingir uma classificação melhor no Índice de Desenvolvimento Humano. Na disciplina Matemática 65% dos alunos do 5º ano não dominam operação de cálculo e 60% dos alunos do 9º ano não sabem realizar cálculos de porcentagem. Esse é o retrato da educação em todo o Brasil. A situação é caótica, tanto que o próprio Ministério da Educação apurou que um em cada cinco estudantes brasileiros do Ensino Fundamental está atrasado na escola, enquanto no Ensino Médio, pelo menos três em cada dez alunos também estão em situação idêntica. Ainda assim, exatos 48% das escolas públicas deixaram de indicar as obras pedagógicas para o ano letivo de 2017. Lamentável!

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