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Criança tem esôfago perfurado no parto

21 Jul 2011 - 09h37
Valéria Araújo

DOURADOS - A Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul (Avem-MS) abriu investigação junto ao Hospital Evangélico de Dourados depois que um recém nascido apresentou uma perfuração no esôfago, logo após o parto.


A cirurgia aconteceu há cerca de 30 dias. De acordo com o presidente da Avem, Valdemar Moraes de Souza, depois do parto a criança sofreu paradas cardio-respiratórias e a família encaminhou a menina às pressas até Campo Grande. “Mãe e filha chegaram na capital de avião, devido ao grau de risco. Em avaliação em outros hospitais foi detectado que a criança estava com uma perfuração no esôfago. Pode se tratar de algum procedimento incorreto realizado durante o parto”, explica.


Esta semana o presidente pretende acionar a justiça para que o caso seja esclarecido. “A assessoria jurídica da associação vai acionar o hospital para que se explique. A criança, que hoje está em tratamento, poderia ter morrido. Isto é inadmissível”, destaca Valdemar Moraes.


Ao todo, a Associação tem 407 registros de suspeita de erros médicos em Mato Grosso do Sul. Ontem, na capital, um pai estava abalado com o que aconteceu com a esposa dele logo após o parto. O trabalhador rural Ivan Luiz Canábria, de 37 anos, sofre quando lembra o drama que está enfrentando. Há quase dois meses a esposa Ana Paula de Souza, de 38 anos, está numa cama do Centro de Atendimento Intensivo (CTI) em estado vegetativo.

Ivan registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil em Campo Grande contra suposta negligência que a esposa teria sofrido por parte da Santa Casa. Ivan disse ao jornal O PROGRESSO e ao site Douradosagora que a complicação deve ter relação com a demora no atendimento à paciente.

O parto de Ana foi normal. O marido conta que quando a mulher entrou no nono mês de gestação ela teve pré-eclampsia, que coloca em risco a vida da criança e mãe, que em geral fica bastante inchada, nestes casos.

Segundo Ivan, por quatro dias ele e a esposa percorreram hospitais. “Ela sentia dores fores e sangramento. Fomos à Santa Casa, à Maternidade Cândido Mariano e ao Hospital Regional. Em todas as vezes só medicaram a minha esposa e disseram que não era hora do parto”, conta.

O trabalhador rural voltou à Santa Casa, quando as contrações ficaram ainda mais fores e o sangramento aumentou. “Minha esposa tem pressão alta e nenhum médico levou esta informação em consideração. Quando o médico resolveu que faria o parto houve troca de plantão. Ela esperou pelo menos três horas para que outro médico chegasse.


Isto não aconteceu e o médico anterior decidiu que ele mesmo o faria o parto e voltou para o hospital. Quando isto ocorreu acredito que a criança já estava morrendo. O bebê teve uma parada cardio-respiratória”, destaca.

Dois dias depois Ana Paula teria sentido fortes dores de cabeça e relatou à mãe dela que foi medicada com metamizol sódico e depois começou a passar mal. Ana Paula foi levada às pressas ao Hospital. “Ela sofreu parada cardíaca, derrame no cerebral e complicações no pulmão. Só um milagre para salvá-la, já que nem os médicos sabem o que fazer”, lamenta.

O PROGRESSO entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da Santa Casa, que ficou de encaminhar nota sobre o caso. Até o fechamento desta edição, isto não aconteceu.

Em relação a criança douradense, a direção do Hospital Evangélico alega que a perfuração não foi causada por procedimentos cirúrgicos e que trata-se de uma patologia da criança, uma espécie de “comunicação do esôfago”.
Segundo o hospital, a criança já nasceu com o problema e uma vez detectado, todas os procedimentos médicos foram realizados. Segundo o Hospital, uma UTI móvel foi disponibilizada, mas a família preferiu se deslocar até a Capital de avião.

ERROS

Segundo Valdemar Moraes, são 407 erros médicos investigados. Os principais casos estão relacionados a perfurações na bexiga e problemas no parto. A Associação foi criada depois que o irmão de Valdemar Moraes de Souza - fundador e presidente da Associação, morreu em virtude de um erro médico. “Ele sentia uma dor na perna e morreu quando fez uma cirurgia.


Eu quis fazer justiça, a maneira que encontrei foi criar a associação”, conta ele.

Um dos objetivos da Associação é amparar a vítima e a família. Além de apoiar gratuitamente e realizar trabalho social, a entidade possui contrato com advogados que ajudam quem não tem condições de pagar por um profissional.

A maioria das negligências é por parte dos próprios médicos dos hospitais. “Temos muitos óbitos decorrentes de negligência dentro de hospitais. Os casos de negligências vão desde mortes de bebês até sequelas”, comenta Valdemar.

Segundo ele, em Dourados é preciso com urgência a implantação de uma filial da associação. Para isto falta apoio. Denúncias podem ser feitas pelo telefone: (67) 3362 1375.

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