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Correios tem déficit de 300 funcionários no Estado

28 Abr 2016 - 06h00
Em Dourados servidores paralisaram 70% das atividades ontem em dia de protesto nacional. - Crédito: Foto: Hedio FazanEm Dourados servidores paralisaram 70% das atividades ontem em dia de protesto nacional. - Crédito: Foto: Hedio Fazan
Com desfalque de 300 funcionários, os Correios em Mato Grosso do Sul passa por dificuldades para entregar correspondências e encomendas em dia. O problema é antigo e tende a se agravar com as novas medidas da estatal que prevê fechar agências em todo o país. Não há sinal de realização de concurso e o órgão está impedido pela justiça de contratar funcionários temporários.


Ontem, foi dia de paralisação nacional do Correios. No estado, 32 municípios aderiram a um protesto que pede melhores condições de trabalho e de segurança e o fim da precarização da empresa e do rombo no fundo de pensão. "Nosso objetivo é chamar a atenção do governo e da sociedade. Se o Correios passa por dificuldades, não é culpa de seus servidores, mas sim daqueles que administram o órgão", diz a presidente do Sintect/MS (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de Mato Grosso do Sul), Elaine Regina Oliveira.



Em todo o país, os Correios tem pouco mais de cinco mil agências e, para conter gastos, a proposta do órgão é de fechar pelo menos duas mil delas, podendo passar de 15 em Mato Grosso do Sul. Fazendo isso, funcionários correm risco de serem remanejados de cidade. Os servidores são contra.


O último concurso realizado pelos Correios ocorreu em 2011 e as poucas vagas destinadas a Mato Grosso do Sul foram preenchidas, diferentemente de outros estados onde há prorrogação do certame até hoje. Com isso, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação contra o Correios para chamar os aprovados e pediu o fim da contratação de temporários até regularizar o processo do concurso.


"Em Mato Grosso do Sul, a administração central do órgão não se preocupa com o nosso Estado e sofremos com a carência de colaboradores. Isso faz com que os servidores trabalhem sobrecarregados, provocando afastamentos", disse Elaine. Em Camapuã, segundo ela, só há um careiro quando deveria ter, ao menos, quatro profissionais neste setor.


Em Dourados, segunda maior cidade do Estado, os servidores se concentraram durante o protesto de ontem em frente à agência central. Eles reduziram em 70% o atendimento, segundo Adriano Teles, vice-presidente da categoria e lotado na base sindical em Dourados. "Não diferente das demais agências no país, nosso principal déficit se concentra no baixo número de carteiros para a entrega de correspondências", disse ele, referindo-se à problemática no atraso de cartas.


De acordo com Adriano, Dourados tem 110 servidores dos Correios, entre carteiros e administrativos, e somente no setor de entrega de cartas deveria ter, pelo menos, mais 20 funcionários. "Além disso, nosso sistema de informática das agências são defasados e, com isso, torna-se o atendimento demorado e as pessoas reclamam com razão. Precisamos de investimento", reitera.


Outra reivindicação se dá sobre a segurança nas agências, que são correspondentes do Banco do Brasil. "É preciso ter porta giratória e toda uma segurança específica para evitar a ocorrência de roubos", explica o vice-presidente Adriano Teles. No mês passado, duas agências dos Correios foram alvo de assalto, sendo em Terenos, onde foi levado R$ 23 mil, e na cidade de Ribas do Rio Pardo, com prejuízo ainda maior, de R$ 100 mil.


Outra reclamação dos servidores e que motivou paralisação em todo o país é quanto à contribuição do plano previdenciário a partir do mês de maio, que será no valor de 17,92%. A medida faz parte do plano de equacionamento do rombo do fundo de pensão dos funcionários da estatal, o Postalis, de R$ 6,77 bilhões. As entidades representativas dos trabalhadores tentam reverter essa contribuição na justiça.

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