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Descaso

Corpos de índios não têm local para necrópsia em Dourados

07 Jun 2016 - 06h54Por Do Progresso
Em salinha mal estrutura para exame de necropsia avó aguarda cinco horas liberação do corpo. - Crédito: Foto: Hedio FazanEm salinha mal estrutura para exame de necropsia avó aguarda cinco horas liberação do corpo. - Crédito: Foto: Hedio Fazan
A cidade de Dourados não tem local para a necrópsia de indígenas e os corpos estão sendo levados para uma salinha aos fundos de um hospital, que fez o favor de ceder o espaço. De acordo com o Conselho Institucional de Segurança Pública de Dourados (Coised), sem esta cedência, os indígenas teriam que ser atendidos na calçada.


Além de depender de favores, a comunidade indígena ainda enfrenta o "calvário" na hora de enterrar os parentes, já que ficam esperando por horas a chegada da perícia para a liberação dos corpos. Isto acontece porque os legistas da cidade, que estão em número reduzido e atendem 22 cidades, são obrigados a percorrer funerárias particulares de Dourados durante o dia todo para poderem realizar seus trabalhos; tudo com seus carros particulares porque o núcleo de perícia não tem veículos para os profissionais. Além desses transtornos, as famílias ainda sofrem com os laudos que são comprometidos devido a falta de estrutura. O fator facilita a impunidade, conforme apontado pelo Ministério Público Estadual. Enquanto isso, a cidade de Dourados tem uma megaestrutura pública do Instituto Médico Legal, (IML) que poderia estar sendo utilizada, mas apesar construída há 4 anos, nunca foi ativada.

Impasse


A falta de um espaço para a necrópsia de índios acontece porque, além do IML de Dourados estar de portas fechadas, a empresa contratada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) para fazer o serviço funerário para índios de mais de 10 cidades da região, não tem sede em Dourados. Além de não ter um local para realizar as autópsias, a empresa não tem parceria com as funerárias locais para a cedência de espaço.



Precariedade


Na salinha improvisada, há duas mesas finas de mármore, fixadas numa parede, e uma pia comum. Não há iluminação adequada e os corpos não podem ser abertos no local, por falta de material. Por isso, índios mortos por tiros não têm como ser periciados.


Na tarde de ontem, O PROGRESSO flagrou uma avó que chorava a morte do neto de 4 anos e não podia ir para a casa fazer o velório porque a perícia ainda não havia chegado. Aparecida Galim estava aguardando a liberação há 5 horas. O promotor de Justiça Elcio Félix D’angelo vem alertando as autoridades que 40% dos juris que faz está relacionado a indígenas e que se os laudos não são bem feitos, geram impunidade.


Em recente reunião o secretário de Segurança Pública do Estado José Carlos Barbosa, considerou uma "vergonha" o IML de Dourados ficar 4 anos fechado e anunciou que os recursos na ordem de R$ 30 mil para adequar o Instituto estão em licitação. Disse que espera que, da próxima vez que vier a Dourados, reinaugure a estrutura.

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