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Editorial

Corpo de Bombeiros

09 Jul 2011 - 06h37


Na semana em que o Brasil recebeu a informação que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou projeto de lei que anistia os bombeiros militares do Rio de Janeiro que foram punidos pelo governo do Estado depois de um protesto por aumento salarial e melhores condições de trabalho, parte da sociedade douradense assistiu a solenidade que marcou o Dia Nacional do Bombeiro Militar, data instituída pelo presidente Getúlio Vargas, em 1954.

A questão é: existe motivo para essa categoria comemorar? Será que a situação dos bombeiros militares de Mato Grosso do Sul é muito diferente dos colegas cariocas, que recebem um dos piores salários do Brasil? É inverossímil, mas o Rio de Janeiro paga salário de pouco mais de R$ 900 aos seus bombeiros militares e ainda manda prender aqueles que protestam contra essa situação análoga a escravidão, onde os militares que atuam como salva-vidas nas praias cariocas não recebem do governo do Estado nem mesmo produtos indispensáveis como protetor solar.

Mesmo diante da falta de reconhecimento dos governantes, tanto que partiu do próprio governador Sérgio Cabral a ordem para prender 429 militares que participaram do protesto, o bombeiro ainda é visto como herói pela quase totalida-de da população. No fundo, essa é uma profissão que não é incentivada pelo amor ao perigo, mas despertada pelo sacer-dócio e, portanto, deveria ser melhor reconhecida pelos governantes.

Ser bombeiro é muito mais que ser um salvador de vidas, um herói do cotidiano urbano. Ser bombeiro é, acima de tudo, ser modelo de solidariedade, coragem e senso de responsabilidade. Poucas profissões nesse mundo exige que se arrisque a própria vida em favor da vida de outro como a de Bombeiro Militar, uma atividade que merece o respeito de toda sociedade, aliás, como tem sido ao longo das últimas décadas quando essa categoria tem aparecido no topo dos ranking de confiança que são elaborados pelos mais diferentes institutos brasileiros.

A profissão de bombeiro militar é nobre, tanto que, quem, na pureza da sua infância, não sonhou um dia em ser um bombeiro militar? Quem não se emocionou ao assistir o trabalho de resgate desses heróis urbanos? Quem não sente um frio na espinha ao ver uma viatura resgate cortando cruzamentos e avançando sinais fechados para ganhar segundos que podem salvar uma vida? Assim é a profissão que desperta sonhos em crianças, fascina os jovens e emociona os adultos. É uma atividade que exige muito mais que estado de espírito. Exige sim, que se doe totalmente em benefício do próximo, independente da raça, religião e classe social.

O Corpo de Bombeiros é um dos poucos órgãos do serviço público, senão o único, onde o poder econômico do assistido não exerce qualquer influência no atendimento ao cidadão, ou seja, o indi-gente encontrado ferido na rua recebe o mesmo tratamento que o proprietário da BMW que perdeu o controle de direção do veículo e foi de encontro ao poste. Esse é, fundamentalmente, um dos pontos que dignificam essa profissão e seus homens.

O ato de doação faz parte do cotidiano do Bombeiro Militar em todo o mundo. Onde existir um bombeiro, existirá al-guém disposto a morrer para salvar vidas alheias. A instituição Corpo de Bombeiros é tão respeitada, que em pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a população colocou a corporação como símbolo de confiança, honestidade, coragem e credibilidade. É uma das poucas forças fardadas que não sofre com o descrédito que se instalou nos organismos de segurança pública.

Talvez porque seja raro encontrar um bombeiro militar envolvido em qualquer tipo de fraude, crime contra a sociedade ou serviço público. Em Dourados não é diferente. A falta de inves-timentos em infraestrutura é superada pelo treinamento contínuo dos homens que formam o 2º Grupamento de Bombei-ros Militar, de forma que a distância não é empecilho para o cumprimento da missão. A solidariedade é cartão de visita dos profissionais que, muitas vezes, na ânsia de salvar a vida dos outros, se esquecem da importância que suas vidas têm para seus entes queridos. Os governantes deveriam pensar nisso na hora de fixar a remun

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