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Editorial

Combate à Miséria

04 Jun 2011 - 06h41

#Combate à Miséria


Antes de completar o primeiro semestre de governo, a presidente Dilma Rousseff, que já havia implementado sua marca pessoal nas decisões que partiram do Palácio do Planalto, decidiu mostrar que o Estado social estará ainda mais atuante no território brasileiro.

Essa certeza nasceu com o anúncio do Plano Brasil sem Miséria, uma meta arrojada onde Dilma, que aprendeu a fazer política com Leonel Brizola, pretende tirar 16 milhões de brasileiros da pobreza extrema até o final do mandato dela, em 2014. Caso consiga atingir a meta e mantenha os programas sociais que já estão em curso e beneficiam diretamente 12 milhões de famílias, ou seja, 48 milhões de eleitores, Dilma Rousseff estará com a reeleição garantida e ficará no comando do país até 2018.

Para tanto, a presidente vai gastar, somente neste ano, a bagatela de R$ 20 bilhões, dinheiro suficiente ainda para elevar para até R$ 70 a renda de cada integrante das famílias incluídas nos programas sociais do governo federal, ou seja, uma família com cinco crianças passará a embolsar até R$ 350 mensais.

O preocupante é que todo esse esforço ainda não será suficiente para acabar com a pobreza no Brasil, uma vez que a própria ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, admitiu ontem que o Plano Brasil sem Miséria vai atender 16 milhões de brasileiros, bem menos da metade dos 50 milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza em todo o território nacional.

Ao lançar o programa de combate à miséria, a presidente Dilma Rousseff afir-mou que a pobreza nunca foi olhada como deveria pelos governantes que a antecederam, mas teve o cuidado de citar o padrinho político e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como exceção. Faltou lembrar apenas que os programas de combate à pobreza não tiveram início com a chegada do PT ao poder, mas sim por iniciativa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, entre outras coisas, criou o Bolsa Família, que depois foi transformado em Bolsa Família, e ga-rantiu totais condições para que o programa Comunidade Solidária, comandado pela então primeira-dama Ruth Cardoso, levasse assistência às famílias mais pobres.

Por isso, ainda que o Plano Brasil sem Miséria mereça todos os elogios do mundo, a presidente Dilma Rousseff errou ao afirmar que Lula enxergou os pobres como seres capazes de construir sua própria riqueza, sua dignidade. É inegável o trabalho que o governo FHC realizou no campo social, não apenas por meio de importantes programas de assistência e distribuição de renda, mas, também, por políticas públicas que fortaleceram e universalizaram o Sistema Único de Saúde (SUS); criaram o medicamento genérico e ampliaram os programas de distribuição de remédio para os mais pobres; definiram metas para saneamento básico, levando água potável e coleta de esgoto para milhões de lares; aceleraram o pro-grama de reforma agrária em todo o Brasil, a ponto de Fernando Henrique Cardoso ter assentado mais famílias que a soma de todos aqueles que passaram pela presidência da República.

Esse matutino não está fazendo papel de advogado de FHC, mesmo porque não tem procuração para tal, mas é preciso enfatizar que para iluminar o governo petista não é preciso apagar a luz daqueles que também trabalharam pelo social.

É verdade que nunca antes na história desse país um governante investiu tanto em políticas de distribuição de renda quanto o ex-presidente Lula, trabalho que agora terá continuidade com a presidente Dilma Rousseff, mas também é ine-gável que nunca antes na história desse país um candidato do governo foi tão beneficiado política e eleitoralmente por esses mesmos programas, tanto que Dilma chegou a monopolizar os votos nos municípios com maior dependência do Bolsa Família.

Contudo, é importante ressaltar que o Plano Brasil sem Miséria está repleto de boas intenções, a começar pela proposta de repassar R$ 2,4 mil, por família, ao longo de dois anos, para agricultores em situação de extrema pobre-za atendidos pelo Programa de Aquisição de Alimentos, com o propósito de apoiar a produção e a comercialização exce-dente de alimentos da Agricultura Familiar. Tomara que o Plano Brasil sem Miséria saia do papel ainda neste ano e não apenas às vésperas das eleições municipais de 2012.

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