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TOCHA OLÍMPICA

Cantora condutora da Tocha conta experiência de inclusão no esporte

13 Jun 2016 - 16h21
Cantora douradense diz que esse momento representa muito para ela – Divulgação
 - Cantora douradense diz que esse momento representa muito para ela – Divulgação -


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A cantora Dani Muniz, douradense, de 34 anos, quando era criança praticava esportes, como futebol, mas era a ginástica artística sua paixão. Aos 12 anos e com muito talento, no entanto, ela não pôde mais treinar devido a necessidade de ter um trabalho, foi então que entrou para a Patrulha Mirim de Dourados.

Escolhida como uma das condutoras da Tocha Olímpica na "Cidade Celebração", a única do interior de Mato Grosso do Sul, onde a chama irá pernoitar, Dani conta que não foi atleta de carreira, mas como o esporte fez toda a diferença em sua vida. "Nem sempre ganhamos, mas vencemos mais por estar em comunhão", revela.
Como condutora da chama, porém, enfrenta a realidade por se considerar "fora dos padrões estabelecidos".

Mulher de personalidade e talento, Dani acredita que pode realizar todos os sonhos, sem se vender e sem se render. Hoje a cantora se nota como espelho dos jovens, principalmente por suas escolhas. "Nunca tivemos grana, mas temos dignidade", mostra.

"Eu sou uma mulher, negra, meio índia, meio paraguaia, amo a fronteira, estou acima do peso, com mais de 30 anos, não tenho dinheiro, mas tenho garra, força de vontade. Muita gente que segue o padrão gostaria de ter essa oportunidade. Contrariando todas as expectativas, tenho orgulho de ser quem eu sou. A minha história chamou a atenção, não viram minha foto Eu creio que não foi à toa ser escolhida, pois batalhei na vida. É possível, o esporte é inclusão", reflete.

Esse aprendizado, segundo a cantora, se deu também por meio da música. Casou-se com o rapper Higor Lobo, trabalharam "na quebrada", e conheceram muitos jovens talentosos que acabavam no mundo das drogas por falta de oportunidade. Segundo ela, por isso, não serve "coisas ilícitas", mas no aconselhamento pelo melhor na construção social, como por meio do rap, de um trabalho no terceiro setor até atingir a reserva indígena.

Dani já tem um disco solo de MPB, canta com o Brô MCs (o primeiro grupo de rap indígena no Brasil) e na IBMR (Igreja Batista Ministério da Restauração) participa de um grupo chamado "Vozes aos pés do Mestre". De acordo com ela, esse trabalho leva a música cristã para quem está sem qualquer esperança, por meio do gênero, que é considerado um tabu no meio religioso.

Diante de todo seu empenho, a cantora acredita que, simbolicamente, esse momento representa muito. "Ainda choro e me emociono vendo as competições de ginástica artística, me lembro que nunca deixei de acompanhar os jogos olímpicos, que às vezes eram de madrugada, no frio. Ficava assistindo por acreditar que através do esporte as coisas poderiam mudar. Fiquei lisonjeada, por ser este ano no Brasil e por eu fazer parte. De verdade, meu nome vai estar lá em algum momento", finaliza.

O prefeito Murilo considera esse período histórico, principalmente, por ser o primeiro país da América do Sul a receber as Olimpíadas e pelo município ter sido contemplado na oportunidade de divulgar toda cultura e beleza douradense ao mundo. A passagem da Tocha será no dia 26 de junho, com atrações na praça Antonio João, a partir das 16h.

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