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Editorial

Aumento do Desmatamento

28 Nov 2015 - 07h00



Em meio aos escândalos políticos que abalam o país, o Ministério do Meio Ambiente divulgou ontem mais uma péssima notícia não apenas para a sociedade brasileira, mas, também, para todo o planeta: o desmatamento na Amazônia Legal aumentou 16% entre agosto de 2014 e julho de 2015, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Significa dizer que num espaço de 12 meses foram derrubados 5.831 quilômetros quadrados de floresta, ou seja, 800 quilômetros quadrados a mais que o registrado pelos satélites do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), entre 2013 e 2014. Somente o Estado do Amazonas destruiu 769 quilômetros quadrados de florestas, seguido por Rondônia com desmatamento de 963 quilômetros quadrados e pelo Mato Grosso, que derrubou 1.508 quilômetros quadrados de árvores para abrir novas áreas de cultivo de grãos ou criação de gado. Detalhe: o governo federal garante que investiu R$ 220 milhões para que os Estados que formam a Amazônia Legal aplicassem na gestão ambiental, mas o que se vê é um rastro de destruição.

Mesmo diante de números que comprovam que o Brasil está perdendo a guerra para desmatadores, sobretudo para as madeireiras, o governo insiste em negar o problema, afirmando que o desmatamento e a degradação florestal seguem alarmantes em países vizinhos que compartilham o bioma Amazônico, como Bolívia, Peru, Equador e Colômbia. Quando tenta transferir para os demais países a responsabilidade que tem de preservar a floresta amazônica, o governo federal incorre num grave erro, mesmo porque Amazônia é o maior bioma do Brasil e tem grande importância na regulação climática e manutenção da água. Essa ação destruidora do homem agrava cada vez mais o equilíbrio ambiental, deixando um rastro de destruição que dificilmente será sanado. Números do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) revelam que na Região Amazônia, por exemplo, haverá redução em 10% no volume de chuvas e aumento de temperatura de 1 ºC a 1,5°C até 2040; haverá diminuição de 25% a 30% nas chuvas e alta de temperatura entre 3°C e 3,5°C no período de 2041 a 2070; e redução nas chuvas de 40% a 45% e aumento de 5°C a 6°C na temperatura no final do século, ou seja, e 2071 a 2100.

É inegável que, caso estes números se confirmem, todo bioma da floresta amazônica estará ameaçado, bem como a sobrevivência da própria floresta, ou seja, quando não provoca desmatamento para abrir novas áreas de pastagem e agricultura, ou para traficar madeira, o homem consegue destruir o meio ambiente por meio de ações que favoreçam o aquecimento global. Essa situação se agrava com a destruição de outro bioma igualmente importante: a Mata Atlântica. O Atlas de Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revela que, nos últimos dois anos, foram destruídos o equivalente a 150 Parques do Ibirapuera, ou seja, 239 quilômetros quadrados de remanescentes nos 17 Estados da Mata Atlântica. O primeiro passo para mudar essa triste realidade seria endurecer as leis contra desmatadores, mas a sensação é que o governo não está nem um pouco preocupado com a questão ambiental.

Por outro lado, a Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (Raisg), formada por 11 organizações não-governamentais da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela, alerta que mais de 62% de toda área destruída da floresta amazônica estavam em solo brasileiro, ou seja, os outros países juntos responderam por apenas 38% da devastação. Alheia aos problemas ambientais causados ou agravados pela destruição da floresta, a Comissão do Meio Ambiente do Senado Federal aprovou a proposta que permite o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal e no Cerrado. Esta é mais uma ameaça para a região que ocupa uma área de 5.016.136,3 quilômetros quadrados, que corresponde a 59% do território brasileiro e onde vivem mais de 25 milhões de pessoas, distribuídas em 775 municípios. A Amazônia Legal, que agora está ameaçada pelo cultivo da cana-de-açúcar, abriga 20% do bioma Cerrado e abriga todo o bioma amazônico, o mais extenso dos biomas brasileiros e onde está 1/3 das florestas tropicais úmidas do planeta.

O número

1.508 quilômetros quadrados de árvores foram derrubados apenas no Estado de Mato Grosso em um ano para abrir novas áreas de cultivo de grãos ou criação de gado.

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