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Editorial

Apoio ao impeachment

21 Mar 2016 - 10h43
OInstituto Datafolha divulgou neste final de semana o resultado de uma ampla pesquisa onde aponta que 68% da população brasileira entendem que os deputados federal deveriam votar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Significa dizer que de cada grupo de 100 eleitores, exatos 68 estão a favor da cassação do mandato da petista, enquanto apenas 27% são contra, 3% estão indiferentes e apenas 2% da população não sabem ou não querem opinar. Essa aprovação popular deve repercutir no Congresso Nacional, já que a pesquisa realizada pelo mesmo Datafolha no mês passado mostrava que 60% eram favoráveis ao impeachment e 33% eram desfavoráveis, ou seja, o percentual daqueles que apoiam a cassação subiu oito pontos percentuais de um mês para o outro e dos que eram contra a perda do mandato recuou seis pontos percentuais no mesmo período. O Datafolha realizou o levantamento nos dias 17 e 18 de março, junto a 2.794 eleitores em 171 municípios de todo o país, de forma que o Congresso Nacional, que é uma caixa de ressonância da sociedade deverá ser influenciado por esse resultado na eventual votação de um processo de impeachment.


Os números da pesquisa são contundentes: 65% dos entrevistados afirmaram que a presidente Dilma Rousseff deveria renunciar ao mandato, enquanto para 32% ela deve seguir no cargo. Em relação à avaliação do governo Dilma, exatos 69% classificaram o mandato como ruim e péssimo, enquanto apenas 10% enxergam a gestão de Dilma como ótimo ou bom e outros 21% classificam como regular. O Datafolha também questionou os eleitores sobre se Dilma vai ou não ser afastada do governo, cenário em que 47% disseram acreditar que a petista não será afastada, enquanto outros 46% afirmaram crer em afastamento pelo Congresso Nacional. A mesma pesquisa apontou ainda que o percentual de rejeição ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pivô do escândalo político envolvendo o governo federal, chegou a 57% e atingiu o maior patamar desde que o petista deixou o Palácio do Planalto. Para 68% dos entrevistados, a principal motivação de Lula ao assumir um ministério foi para ter foro privilegiado e escapar da Operação Lava Jato, enquanto outros 19% enxergaram neste ano um gesto para ajudar o governo Dilma.


No fundo, a pesquisa Datafolha apenas reafirma o descrédito da sociedade na política e confirma estudo realizado pelo Instituto Gallup Internacional, a pedido da Transparência Internacional, apontando que o brasileiro considera os partidos políticos como os principais responsáveis pela corrupção. A questão era simples: o entrevistado dava nota 1 a 5 para as instituições livres de corrupção, de forma que, quanto maior a nota, mais corrupta seria a instituição. No Brasil, os partidos políticos receberam nota média 4, seguidos pelos parlamentos, com nota 3,7 e pela polícia, com nota 3,6. O mais preocupante é que a pesquisa Gallup confirmou levantamentos anteriores, onde o brasileiro se mostrou profundamente pessimista em relação às instituições democráticas. Não faz muito tempo, as maioria dos brasileiros afirmou, em pesquisa semelhante, que preferiria viver em uma ditadura, desde que houvesse mais segurança e menos corrupção. Para 57% dos brasileiros, a corrupção política é um problema maior do Brasil, enquanto outros 43% citaram os atos de pequena corrupção ou corrupção administrativa como um grande problema.


O fato é que os partidos políticos brasileiros, a exemplo do que acontece com as demais legendas políticas da América Latina, vivem uma crise de identidade e, principalmente, de credibilidade. A crise de identidade foi gerada, sobretudo, por ideologias sazonais, ou seja, muda-se a postura do partido de acordo com os interesses daqueles que estão no comando dos mesmos. Já a crise de credibilidade faz parte de um processo de desgaste partidário que iniciou na primeira metade da década de 80 e se consolidou durante a década de 90, quando as legendas foram transformadas em balcão de negócios ou cederam aos escândalos de corrupção. Além disso, os partidos políticos que outrora foram guardiãs da ética, da liberdade e da luta pela cidadania, passaram a defender apenas interesses de grupos. Essa realidade também foi retratada em uma pesquisa feita pela ONU que indicou, entre outras coisas, que a maioria dos povos latino-americanos preferiria viver em regimes autoritários, contanto que as economias fossem estáveis.

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