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Editorial

Alfabetização Deficitária

18 Nov 2015 - 08h23


O 2º Seminário do Ensino Médio do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed), realizado em Manaus, revelou um dado preocupante: 26.500 escolas avaliadas pela Prova Brasil apresentam dificuldades na alfabetização dos alunos. Como pode um país com 5.568 municípios possuir mais de 26 mil escolas que não conseguem preparar uma criança para a leitura ou interpretação de um texto básico? Que futuro poderá ter uma nação onde mais de 26 mil escolas não atingem as metas mínimas de alfabetização das crianças, não apenas nos primeiros anos, mas também até o 9º ano do Ensino Fundamental? O fato é que a maioria dos estudantes chega ao 3° ano do Ensino Fundamental sem conseguir interpretar texto e grande parte mal consegue escrever uma frase curta sem errar a grafia ou a concordância verbal. Essa deficiência foi apurada na Prova Brasil, aplicada ao 5º e 9º ano do Ensino Fundamental, e da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), aplicada às crianças do 3º ano do Ensino Fundamental, ou seja, o próprio Ministério da Educação tem conhecimento da deficiência das escolas públicas e pouco tem feito para mudar essa triste realidade.

É inverossímil, mas 50% das escolas avaliadas pela Prova Brasil apresentaram alunos com baixo desempenho ou desempenho muito insuficiente na alfabetização. Na geografia da limitação educacional, metade das escolas reprovadas pela prova Brasil está na Região Nordeste, onde os baixos investimentos em educação refletem o péssimo desempenho na alfabetização das crianças. No Nordeste, grande parte dos estudantes chega ao 9º do Ensino Fundamental com desempenho insuficiente em leitura, revelando que a Região está longe de cumprir o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), que busca garantir que os alunos até 8 anos estejam alfabetizados em português e matemática. O Movimento Todos Pela Educação revelou que nove em cada dez municípios brasileiros não atingiram o percentual mínimo de alunos com desempenho adequado em matemática no 9º ano do Ensino Fundamental, ou seja, somente 10,8% dos municípios atingiram a meta intermediária calculada para que, em 2022, bicentenário da Independência do Brasil, pelo menos 70% dos alunos tenham aprendizado adequado nesta disciplina.

Os números apurados pela Prova Brasil revelam que na disciplina português apenas 29,6% dos municípios atingiram o nível intermediário, de forma que o percentual de cidades que atingem as metas do Todos Pela Educação vem caindo gradativamente nos últimos anos. Em 2009, por exemplo, 83,7% dos municípios cumpriram a meta para o ano em português no fim do ensino fundamental e 42,7%, em matemática, revelando que os bons resultados que vêm sendo observados nos anos iniciais não estão tendo repercussão nos anos finais. Isso ocorre porque o país não tem metas claras do que deve ser aprendido em cada nível de ensino, tanto que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) considera nove níveis de desempenho na Prova Brasil, sem definir qual é o adequado. O mais preocupante é que 3% dos estudantes com idade entre 7 e 14 anos estão fora da sala de aula, volume que salta para 5% se forem incluídas as crianças em idade de frequentar a pré-escola, ou seja, o ensino público no país caminha a passos largos para ficar ainda pior.

Cabe enfatizar que os 3% que estão fora da escola representam um universo de 1,7 milhão de crianças em idade escolar e, mais grave, para cada 100 alunos que entram na primeira série, somente 47 terminam o 9º ano na idade correspondente, enquanto 14 concluem o Ensino Médio sem interrupção e apenas 11 chegam à universidade. Mais: 61% dos estudantes do 5º ano não conseguem interpretar textos simples e não dominam regras gramaticais, enquanto 60% dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental não interpretam textos dissertativos. Com um desempenho desse, fica impossível atingir uma classificação melhor no Índice de Desenvolvimento Humano. Na disciplina Matemática 65% dos alunos do 5º ano não dominam operação de cálculo e 60% dos alunos do 9º ano não sabem realizar cálculos de porcentagem. Esse é o retrato da educação em todo o Brasil. A situação é caótica, tanto que o próprio Ministério da Educação apurou que um em cada cinco estudantes brasileiros do Ensino Fundamental está atrasado na escola, enquanto no Ensino Médio, pelo menos três em cada dez alunos também estão em situação idêntica.

O número

26.500 escolas avaliadas pela Prova Brasil apresentam dificuldades na alfabetização dos alunos na idade certa e foram reprovadas pelo Ministério da Educação.

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