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Editorial

Afastamento da Escola

01 Mar 2016 - 09h34Por Letícia Verdi Do Progresso
Estudo realizado pelo Instituto Unibanco com base nos últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 1,3 milhão de jovens com idade entre 15 e 17 anos deixaram a escola sem concluir Ensino Médio nos últimos 10 anos, dos quais 52% não conseguiram concluir sequer o Ensino Fundamental. Ainda assim, a porcentagem de jovens que concluem o Ensino Médio na idade certa, ou seja, até os 17 anos, passou de 5%, em 2004, para 19%, em 2014, revelando que os Estados conseguiram algum avanço nessa área, mas, deixando evidente que a situação ainda está distante do ideal. Outro ponto importante do estudo: quanto maior a renda familiar, mais os estudantes avançam nos estudos, de forma que entre aqueles que concluíram o Ensino Médio na idade correta, a média de renda familiar por pessoa é R$ 885, enquanto entre os que não terminaram o Ensino Fundamental a média cai para R$ 436. Ao mesmo tempo, o ingresso no mercado de trabalho e a gravidez na adolescência estão entre os fatores que levam os jovens a deixar a escola antes de concluírem o Ensino Médio.


Tanto o IBGE quanto o Ministério da Educação reconhecem que há grupos em maior risco para evasão escolar, notadamente aqueles formados por jovens de baixa renda, em sua maioria negros, que trocam com frequência os estudos por um trabalho precário ou que ficam grávidas já na adolescência, de forma que entender o perfil do jovem que evade da escola e identificar os momentos em que esse movimento é mais provável são ações importantes a serem realizadas pelos gestores de escolas e dos sistemas educacionais para preservar esses grupos no ambiente escolar. O governo precisa pensar medidas capazes de conter a evasão, mesmo porque do total de 1,3 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola sem Ensino Médio concluído, exatos 610 mil são mulheres e 35% delas, o equivalente a 212 mil, já eram mães nessa faixa etária. Seria sensato se as grades curriculares reforçassem políticas públicas de prevenção à gravidez na adolescência ainda nos primeiros anos do Ensino Fundamental, criando nas meninas uma cultura diferente daquela existente na atualidade.


O estudo revela ainda que apenas 2% das adolescentes que engravidaram deram sequência aos estudos, enquanto entre os homens que deixam a escola para trabalhar, 63% estavam trabalhando ou procurando emprego. Esta realidade contraria a lei, já que a educação até os 17 anos é obrigatória no Brasil de acordo com a Emenda Constitucional nº 59 e com o Plano Nacional de Educação, situação que deve ficar ainda mais severa já que termina neste ano o prazo para que todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos estejam matriculados. Ainda assim, em dez anos o Brasil diminuiu a diferença entre jovens mais ricos e mais pobres que concluem o Ensino Médio: em 2005, exatos 18,1% dos jovens de 19 anos entre os 25% mais pobres da população concluíam o Ensino Médio, enquanto entre os 25% mais ricos, a porcentagem chegava a 80,4%, existindo uma diferença de 62,3 pontos percentuais entre os dois grupos. Já em 2014, entre os 25% mais pobres, exatos 36,8% concluíam o Ensino Médio e, entre os mais ricos o percentual ficou em 84,9%, com a diferença entre os dois grupos ficando em 47,8 pontos percentuais.


Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam ainda que a redução das diferenças entre os mais pobres e mais ricos ocorre também no Ensino Fundamental: em 2005, dos jovens de 16 anos entre os 25% mais pobres da população, exatos 38,8% concluíram o Ensino Fundamental, enquanto entre os 25% mais ricos, a porcentagem era 90%, uma diferença de 51,2 pontos percentuais. Já em 2014, entre os 25% mais pobres a taxa de conclusão saltou para 62,7% que concluíram o Ensino Fundamental e, entre os mais ricos, 92,2%, uma diferença de 29,5 pontos percentuais. Apesar das melhorias, as populações pardas e pretas ainda concentram os maiores percentuais de estudantes que não concluíram as etapas de ensino nas idades monitoradas. Enquanto no Ensino Fundamental, em 2014, 82,9% dos brancos haviam concluído com 16 anos a etapa, 66,4% dos pretos e 67,8% dos pardos atingiram o mesmo patamar. Já no Ensino Médio, 66,6% dos brancos com 19 anos concluíram a escola, e entre os pretos o percentual foi 46,9% e, entre os pardos, 50,1%, configurando um determinado equilíbrio num país onde a miscegenação é marcante.

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