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Editorial

31.12.2010 - Dilma Presidente

31 Dez 2010 - 08h07

Naturalmente todo chefe de nação enfrenta muitos desafios, até mesmo na fase de preparativos antes de assumir o poder. Porém, no caso de Dilma Rousseff, a primeira mulher eleita presidente pelo voto, o principal será o de se desvincular da imagem de Lula, colocando um basta no rótulo de sombra. Machismo não será problema com certeza, isso é coisa do passado, tanto que Dilma deve sua votação expressiva inclusive aos nordestinos, considerados conservadores.

A força do PT no Nordeste é tão incontestável que Dilma venceu em todos os estados da região, em alguns com votação superior a 70%.
Este é apenas o desafio ético de desvinculação, fora os administrativos pendentes, como da transformação do atendimento na Saúde Pública. No alto de sua popularidade, Lula não necessitou fazer nenhum esforço para conseguir o êxito da tão difícil transferência de votos para Dilma. Desde que caiu nas graças do povo, após o segundo ano do seu primeiro mandato, Lula conseguiu a proeza de extrapolar uma popularidade que as vezes era até confundida com idolatria. Talvez, nem ele próprio buscava isso, naturalmente acabou sendo levado a este inédito patamar.

Tudo que ele falava o povo acreditava e como todo “ídolo”, ai daquele que se manifestasse contrário. Poucos políticos, especialmente os mais oportunistas se arriscavam em assumir verdadeiras posições contrárias para não cair na antipatia popular. Foi o que aconteceu com o senador tucano Tarso Jereissati um dos mais influentes do Congresso Nacional que se pautou por ferrenha campanha contra o governo Lula. Quanto mais ele falava, menos convencia.

Somente alguns homens públicos mais autênticos como o senador teve a coragem de assumir tal posicionamento. Este tipo de postura, de posição firme, virou artigo de luxo hoje em dia, ainda mais no caso de Jereissati que representava o Estado do Ceará nas eleições. Por mais que apontasse a verdade era impossível o povo acreditar ou querer acreditar, naquele momento de uma espécie de êxtase vivido pelo “mito” Lula. A explicação pode estar na maneira simples de expressar e envolver de Lula, mas isso não passa de uma suposição. Um presidente sem estudo, ocupando o mesmo cargo que antes pertenceu aos homens mais elevados intelectualmente. Coisas inexplicáveis que a Dilma também pode reverter, de repente batendo na tecla de que a mulher é capaz.

Ele soube explorar e lidar muito bem com a simplicidade voltando esta condição a seu favor. De repente ela, por ser a primeira mulher presidente, poderá alcançar a marca de defensora da fragilidade. O fato é que a incógnita existe, pela responsabilidade de assumir a era pós-Lula, um mito criado principalmente por tomar medidas que agradassem o povo mais pobre, mesmo tendo que pagar o preço de lidar com a fama de Rei do Assistencialismo.

Separar as figuras Dilma e Lula é uma missão quase impossível, como também é praticamente impossível menciona-la sem citar Lula. Por mais que ela tenha tentado construir sua própria identidade acabou ainda não conseguiu, nem mesmo durante tantas aparições depois de eleita. Na posse de amanhã certamente todas as atenções estarão voltados a ele, e não a ex-guerrilheira que agora se propõe a virar guerreira.

Muitas dúvidas ainda pairam sobre o futuro entregue em suas mãos. A maior tendência é a da continuidade, até na visão dos mais entendidos. De novo mesmo, só o jeito mulher de governar o Brasil. Seria como a troca do masculino pelo feminino.
Porém, não deve enfrentar grandes dificuldades graças ao aliado PMDB do vice-presidente Michel Temer e de uma e-norme bancada de deputados federais e senadores. Obedecendo o sistema governamental de sempre, adversários acusam e aliados reconhecem:

Mas se depender do otimismo do povo ela vencerá. Pelo menos é o que revela uma pesquisa CNT/Sensus divulgada quarta-feira mostrando que 69,2% dos entrevistados têm uma expectativa positiva em relação ao futuro governo de Dilma Rousseff. De acordo com o levantamento, 27,7 % acreditam que Dilma fará um ótimo governo; 41,5% esperam um bom governo; 17,6% um governo regular, enquanto outros 6,7 estão pessimistas e acreditam que o governo será ruim ou péssimo.

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